Presidente do Equador acusa Assange de ser "terrorista informático"

Segundo Lenín Moreno, o ativista selecionava informação de acordo "com os seus compromissos ideológicos" e intervinha em assuntos de "países amigos".

O presidente do Equador, Lenín Moreno, classificou o fundador da plataforma WikiLeaks como "terrorista informático" por selecionar informações de acordo com as "conveniências", interferindo em assuntos de outros países.

Moreno acusa Julian Assange de "terrorismo informático" numa entrevista divulgada hoje pela BBC e gravada depois de Assange ter sido preso na embaixada do Equador em Londres, onde permaneceu desde 2012 sob estatuto de asilo político.

De acordo com o chefe de Estado do Equador, o ativista selecionava informação de acordo "com os seus compromissos ideológicos" e intervinha em assuntos de "países amigos".

Moreno referiu-se especificamente a "interferências" nas últimas eleições presidenciais nos Estados Unidos (2016) ou na questão da Catalunha.

Questionado se Assange é um agente russo, Moreno limitou-se a dizer: "parece que sim".

O presidente equatoriano disse ainda que Julian Assange tratava "bastante mal" e de "forma despótica" o pessoal da embaixada, tendo agredido alguns guardas.

"Isto não se pode tolerar. Volto a afirmar que (Assange) esgotou a nossa paciência", disse Lénin Moreno, acrescentando que o fundador da organização WikiLeaks instalava câmaras de televisão no edifício da embaixada, tomava decisões sem consultar os funcionários diplomáticos e publicava na internet fotografias privadas da família do presidente.

Julian Assange, 47 anos, permanece numa prisão britânica depois de ter sido detido no interior da embaixada do Equador, na semana passada.

As autoridades britânicas referiram que Assange não cumpriu as condições da liberdade condicional decretada em 2012 (relacionadas com o pedido de extradição sueco por alegados crimes sexuais), além do pedido de extradição norte-americano.

A Procuradoria sueca deixou em aberto a possibilidade de que se retome a queixa por supostos delitos sexuais.

Com Assange refugiado na embaixada do Equador, a investigação original foi arquivada em Estocolmo em 2017, mas, mesmo assim, as autoridades suecas já fizeram saber que o caso de alegada violação só prescreve em 2020.

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