Presidente de Angola começa visita oficial à Alemanha com foco no investimento económico

Economia, transportes, cultura e energia são algumas das áreas em destaque durante a visita, na qual João Lourenço se vai encontrar com Angela Merkel

O Presidente angolano, João Lourenço, começa hoje uma visita oficial de dois dias à Alemanha, a convite da chanceler alemã Angela Merkel, deslocação encarada com a expectativa de atrair investimento alemão para Angola.

Durante a visita, João Lourenço, que é acompanhado por uma importante delegação empresarial, irá encontrar-se com Merkel e assistirá à abertura do Sétimo Fórum Económico Angola-Alemanha.

Sábado, a propósito da visita oficial de João Lourenço à Alemanha, num comunicado divulgado em Luanda, a missão diplomática germânica em Angola disse que Berlim pretende apoiar Angola na diversificação económica, apostando nas áreas da economia, transportes e cultura.

No documento, a missão diplomática germânica adianta que a energia é outras das áreas em destaque durante a visita, em que serão, paralelamente, assinados vários protocolos de cooperação neste e noutros domínios.

Para Berlim, a visita de João Lourenço, a convite de Angela Merkel, constituirá um "passo importante" para continuar a desenvolver a "parceria abrangente" entre os dois países.

"O Governo alemão está convicto que Angola é um parceiro indispensável em África e no mundo", lê-se no comunicado.

Na agenda, João Lourenço, além de uma reunião de trabalho com Angela Merkel, será recebido pelo seu homólogo alemão, Frank-Walter Steinmeier.

O chefe de Estado angolano vai, também, participar numa conferência económica que tem por objectivo o aprofundamento das relações comerciais entre a Alemanha e Angola.

Trata-se da primeira visita oficial de João Lourenço à Alemanha desde que foi eleito Presidente da República, em agosto do ano passado.

A 10 deste mês, o ministro das Relações Exteriores de Angola, Manuel Augusto, salientou haver "grandes expectativas" dos dois países no fortalecimento das relações económicas e empresarias, "em que há muito potencial por explorar".

Prova disso é o facto de o Presidente de Angola ser acompanhado na visita por uma vasta delegação empresarial angolana, que participará no fórum económico com homólogos alemães, iniciativa que, a partir de agora, será institucionalizada sempre que João Lourenço efetuar uma visita oficial ao estrangeiro.

A ideia, sublinhou Manuel Augusto, é "associar o setor privado às visitas presidenciais" para apresentar o potencial de investimento em Angola a empresários estrangeiros e contribuir para o desenvolvimento do país.

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Catarina Carvalho

Arnaldo, Rui e os tuítes

Arnaldo Matos descobriu o Twitter (ou Tuiter, como ele dizia), em 2017. Rui Rio, em 2018. A ambos o destino juntou nesta edição. Por causa da morte do primeiro, que o trouxe à nostálgica ordem do dia, e por o segundo se ter rendido à tecnologia da transmissão de ideias que são as redes sociais. A política não nasceu para as ideias simples com as redes sociais. Mas as redes sociais vieram dar uma ajuda na rapidez ao passar as mensagens. E a chegar a mais gente. E da forma desejada, sem a, por vezes incómoda, mediação jornalística. É isso mesmo que diz, e sem vergonha, note-se, uma fonte do PSD, no trabalho sobre a presença de Rui Rio no Twitter. "É uma via para dizer exatamente o que pensa e dar a opinião, sem descontextualizações." O jornalismo como descontextualização. Ou seja, os políticos que aderem às redes sociais fazem-no no mesmo pressuposto da propaganda. E têm bons exemplos a seguir, como Trump, mestre nos 280 carateres que o ajudaram a ganhar eleições. Foi o Twitter que trouxe Arnaldo Matos das trevas da extrema-esquerda para o meio mediático. Regressou como fenómeno, não apenas pelas polémicas intervenções no velho partido, o MRPP, onde promoveu rixas, expulsou camaradas por desvios de direita, mas, sobretudo, pela excelente adaptação à forma que a tecnologia do Twitter lhe proporcionava para passar a sua mensagem política dura, rápida, cruel e, sim, simplista. Para quem não quer perder muito tempo com explicações, o Twitter é ideal. Numa prosa publicada na página do partido, Luta Popular, Arnaldo Matos fazia o que sabia fazer, doutrina, sobre o assunto. Dizia que as suas publicações, batendo "todos os recordes em Portugal", se tornavam "tão virais" que já nem ele as controlava E sem nenhum recuo ou consideração sobre a origem "capitalista" desta transmissão informativa queixava-se de as mensagens não serem vistas pelos "camaradas do partido". Resumindo: "Os tuítes são pequenas peças de agitação e de propaganda políticas, que permitem aos militantes do PCTP/MRPP manter uma informação permanente sobre a vida política nacional e internacional." Dizia também que este método "fornece uma enorme quantidade de temas que armam a classe operária para a difusão de opiniões que caracterizam os seus pontos de vista de classe". Ninguém diria melhor do que um "educador" de classe, operária ou outra, e nem mesmo Jack Dorsey ou Noah Glass ou Biz Stone, ou Evan Williams, os fundadores da rede social, a saberiam defender de forma tão eficaz. E enganadora. A forma como Arnaldo Matos usava o Twitter era um pouco menos benévola do que podia parecer destas palavras. Zurziu palavras simples e fortes contra velhos ódios: contra o "putedo" da esquerda, o "monhé" António Costa, os sociais-fascistas do PCP e, até, justificando ataques terroristas como os do Bataclan em Paris. Mandava boutades que no ciberespaço se chamam posts. E, depois, os jornalistas faziam o resto, amplificando a mensagem nos órgãos de comunicação social tradicionais. Na reportagem explica-se que o objetivo dos tuítes de Rui Rio é, também, que os jornalistas "peguem" nas mensagens e as ampliem. Até porque ele tem apenas cerca de três mil seguidores - o que não é pouco, tendo em conta a fraca penetração da rede em Portugal. Rio muda quando está no Twitter. É mais contundente e certeiro. Arnaldo Matos era como sempre foi, cruel e populista. Ambos perceberam o funcionamento das redes sociais, que beneficiam os políticos, mas prejudicam a democracia. Porque incentivam ao "tribalismo", juntando quem pensa igual e silenciando quem acha diferentes. Que contribuem para a diluição das mediações que leva com ela o pensamento, a crítica, e traz consigo a ilusão da "democracia direta" que mais não é do que outra forma de totalitarismo. Estas últimas ideias são roubadas da apresentação de Pacheco Pereira na conferência sobre o perigo das fake news organizada nesta semana pela agência Lusa. Dizia ele que não devemos ter complacência com a ignorância - que é a base do espalhar de notícias falsas. Talvez os políticos devessem ser os primeiros a temê-la, à ignorância.