PP opta pela renovação: Pablo Casado sucede a Rajoy na liderança da oposição

Vice-secretário de Comunicação ganhou à ex-número dois do governo, Soraya Sáenz de Santamaría, na eleição durante o XIX congresso extraordinário do partido, em Madrid.

Pablo Casado, de 37 anos, sucede a Mariano Rajoy na liderança do Partido Popular espanhol, depois de derrotar a antiga número dois do governo, Soraya Sáenz de Santamaría. O partido na oposição ao governo do socialista Pedro Sánchez opta assim pela renovação, mas também por uma viragem mais à direita.

O vice-secretário de Comunicação do PP e deputado conseguiu 57,2% dos votos dos 3082 delegados, face a 42% da adversária no XIX congresso extraordinário do PP, que decorreu ontem e hoje em Madrid. O anúncio oficial foi feito por Ana Pastor, no Congresso do PP.

"Ninguém perdeu, só ganhou o Partido Popular", disse Casado no seu discurso de vitória, que começou a revelar que já tinha informado a Casa Real da decisão do PP e que tinha reiterado a lealdade do partido à Constituição espanhola e ao rei Felipe VI.

"Foi uma campanha limpa, da qual saímos mais fortes e mais unidos", indicou Casado, agradecendo o trabalho de Sáenz de Santamaría no governo e na campanha. O novo presidente pediu para que não fosse perguntado a ninguém em quem votou. "Todos votámos no Partido Popular e todos ganhámos", afirmou.

"Não vos vou desapontar", lançou o novo presidente do PP, dizendo que depois da campanha, o partido volta a tentar reconquistar o "coração" de todos os espanhóis. "Somos herdeiros da refundação de [José María] Aznar, do legado de Rajoy. Contarei com todos os presidentes e espero que contem comigo", afirmou.

"É necessária a regeneração política, começando pela reforma eleitoral que já propusemos para que governem em duas voltas, para que se recompense o vencedor na lei eleitoral, de forma a não dependermos de nacionalistas nem de nenhum outro partido que prejudique o nosso projeto", disse Casado, que falou ainda de baixar os impostos sobre as empresas, incentivar a natalidade, endurecer o Código Penal "para evitar qualquer desafio secessionista" e reforçar a Constituição.

"Não vamos gastar nem mais um minuto a falar de nós. Já não temos que falar de nós, mas de Espanha", disse o novo presidente do partido. Depois citou o poeta António Machado, dizendo que "nem o ontem nem o amanhã estão escritos. Depende de nós. Preciso de vocês ao meu lado e daqui, deste congresso, voltaremos a ter nas instituições e no governo de Espanha um PP forte que continuará a transformar a Espanha dos nossos filhos", concluiu.

"Cumpri com a minha palavra"

"Fiz a campanha que queria fazer, cumpri com a minha palavra", disse Sáenz de Santamaría antes de serem conhecidos os resultados oficiais. "Obrigada a todos os que acreditaram e apoiaram a minha candidatura", referiu aos jornalistas presentes no congresso, dizendo que ainda não tinha felicitado Casado porque esperava fazê-lo pessoalmente (os dois iam estar sentados lado a lado).

Sáenz de Santamaría foi aplaudida quando entrou no recinto, enquanto Casado, que entrou depois, foi recebido aos gritos de "presidente". Enquanto descia até ao seu lugar, foi sendo cumprimentado e felicitado pelos delegados. Ao chegar ao lugar abraçou primeiro Rajoy e depois Sáenz de Santamaría. Subiu depois ao palco, acompanhado pela mulher, Isabel Torres Orts, antes de voltar ao lugar para ouvir o anúncio oficial da vitória.

A surpresa Casado

Casado tinha surpreendido nas primárias do partido, na qual os militantes tiveram uma palavra a dizer, afastando da corrida à liderança a ex-ministra da Defesa e secretária-geral do partido, María Dolores de Cospedal. Esta acabaria por apoiar a sua candidatura, face à de Soraya Sáenz de Santamaría, que tinha conseguido vencer pela margem mínima essas primárias.

O congresso extraordinário foi marcado depois de Mariano Rajoy ter anunciado o seu desejo de deixar a presidência partidária ao final de quase 14 anos e depois de ter sido afastado da chefia do governo graças a uma moção de censura que pôs o socialista Pedro Sánchez no Palácio da Moncloa.

Rajoy manteve-se neutral durante a campanha e não participou na votação para eleger o seu sucessor.

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