Portugal mostra na ONU compromisso com a Agenda 2030

Embalagem de produtos médicos num laboratório na Índia. O acesso a saúde de qualidade é um dos objetivos para o desenvolvimento sustentável

Os 17 objetivos e as 169 metas foram acordados pelos 193 Estados membros da Organização das Nações Unidas em 2015.

Portugal apresenta amanhã, em Nova Iorque, na Assembleia Geral das Nações Unidas, o primeiro relatório voluntário sobre o ponto da situação no cumprimento dos objetivos da Agenda 2030. A apresentação será feita por Teresa Ribeiro. A secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, em entrevista ao DN [ver página ao lado], explica que "este primeiro relatório não foi um exercício administrativo, mas sim político" e que a ideia do governo foi "sinalizar a sua visão para o país".

Em 2015, o mesmo ano em que foram assinados os Acordos de Paris, os 193 Estados membros da ONU chegaram a um ponto de entendimento e de compromisso sobre os grandes objetivos para o desenvolvimento sustentável. Ao contrário dos anteriores Objetivos do Milénio - que se centravam especialmente nos países em desenvolvimento - as Nações Unidas pretendem, com a Agenda 2030, que todas as nações se envolvam naquela que António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas, define como a Agenda da Paz. "Existe um paralelismo claro entre a agenda do desenvolvimento sustentável e a agenda da sustentação da paz", afirmou o antigo primeiro-ministro português no início deste mês quando esteve em Lisboa para participar na reunião da Tidewater.

"Os objetivos de desenvolvimento sustentável [ver barra no topo das páginas] são a nossa visão comum para a Humanidade e um contrato social entre os líderes mundiais e os povos. São uma lista das coisas a fazer em nome do planeta e um plano para o sucesso", sublinhou o sul-coreano Ban Ki-moon, antecessor de António Guterres na liderança da ONU, quando a Agenda foi aprovada, a 25 de setembro de 2015.

Uma em cada oito pessoas no mundo ainda vive em situação de pobreza extrema, as mulheres gastam 2,4 vezes mais tempo do que os homens nas funções domésticas, 1,1 mil milhões de pessoas vivem sem eletricidade e são dois mil milhões aqueles que sofrem com a escassez de água. Estas são algumas das realidades que as Nações Unidas querem combater. São 17 os objetivos genéricos da Agenda 2030, que se subdividem em 169 metas e que serão avaliadas com recurso a 230 indicadores estatísticos, muitos deles ainda em fase de afinação e estabilização. "Até 2030, acabar com a fome e garantir o acesso de todas as pessoas a uma alimentação de qualidade"; "Reduzir para menos de 3% os custos de transação de remessas dos migrantes"; "Reduzir substancialmente a corrupção e o suborno em todas as suas formas"; "Reduzir a mortalidade neonatal para pelo menos 12 por mil nados-vivos e a mortalidade de crianças menores de 5 anos para pelo menos 25 por 1.000 nados-vivos"; "Reduzir para metade, a nível global, o número de mortos e feridos devido a acidentes rodoviários". Estes são apenas cinco exemplos - mais amplos e mais concretos - das 169 metas inscritas na Agenda 2030. Os resultados serão anualmente compilados num relatório intitulado The Sustainable Development Goals Report .

Entre os 17 grandes objetivos de desenvolvimento sustentável Portugal escolheu seis como prioridades: Educação de Qualidade; Igualdade de Género; Indústria, Inovação e Infraestruturas; Redução das Desigualdades; Ação Climática e Proteção da Vida Marinha. "Essa escolha teve que ver com a visão que Portugal tem para o seu futuro, com as áreas onde entendemos que é prioritário investir para atingir os compromissos da Agenda 2030", explica Teresa Ribeiro ao DN. Justificando o porquê de o objetivo relativo às Energias Renováveis ter ficado de fora da lista de prioridades - tendo em conta a narrativa nos últimos anos em Portugal, especialmente com os governos socialistas - a secretária de Estado explica que "foi preciso pensar onde é que teríamos que fazer um investimento maior para cumprir todos os outros. No caso das energias renováveis somos de facto vanguardistas e temos uma performance muito assinalável e obviamente que vamos socorrer-nos dos investimentos feitos nessa área para atingir as metas na ação climática".

Num momento em que o secretário-geral das Nações Unidas é português, o governo de António Costa não quis perder tempo na apresentação de um primeiro relatório voluntário. "Quisemos mostrar o nosso compromisso. E quisemos, numa fase precoce, obrigar-nos a começar a trabalhar afincadamente na Agenda", sublinha Teresa Ribeiro, que amanhã em Nova Iorque fará a apresentação do relatório português.

Últimas notícias

Brand Story

Tui

Mais popular

  • no dn.pt
  • Mundo
Pub
Pub