"Por qué no te callas?" e outras curiosidades das cimeiras ibero-americanas

Em 2007, na Cimeira de Santiago do Chile, o rei Juan Carlos de Espanha e o então presidente venezuelano Hugo Chávez protagonizaram um momento caricato. Mas não foi o único nas cimeiras ibero-americanas

A XXVI Cimeira Ibero-americana decorre nestas quinta e sexta-feira em Antígua, na Guatemala. O tema oficial é o desenvolvimento sustentável, mas a atualidade - da Venezuela à caravana de migrantes que está a caminho dos EUA - deverá marcar presença no encontro em que estarão 17 dos 22 chefes de Estado e governo da região.

Mas estes encontros já foram palco de alguns momentos caricatos ao longo dos anos. O mais conhecido talvez tenha acontecido em 2007, na Cimeira de Santiago do Chile, quando o rei Juan Carlos de Espanha e o então presidente venezuelano Hugo Chávez protagonizaram um momento curioso.

Quando Chávez discursava, criticando o neoliberalismo e o ex-primeiro-ministro espanhol José María Aznar, apelidando-o de fascista e acusando Madrid de estar por detrás da tentativa de golpe de Estado contra si em 2002, o então chefe de governo espanhol, José Luis Zapatero, interrompeu o líder venezuelano pedindo respeito pelo antecessor.

Contudo, Chávez insistia no discurso. Foi então que o rei, chegando-se à frente na sua cadeira e olhando para ele, lhe lançou o já famoso: "Por qué no te callas?" (Porque é que não te calas?). A resposta de Chávez ficou menos conhecida: "Pode ser rei, mas não pode mandar-me calar. Eu também sou chefe do Estado e eleito três vezes."

Em 1996, também no Chile, mas em Viña del Mar, tinha sido o próprio Aznar o protagonista, junto com o líder cubano Fidel Castro. Apesar das diferenças ideológicas, ambos acabaram por trocar de gravatas, depois de elogios mútuos. Fidel entregou a sua gravata, de tons cinzentos, a Aznar, e este respondeu entregando-lhe uma vermelha.

"Não tenhas medo. É uma gravata, não é uma corda", terá dito Aznar, quando punha a gravata ao pescoço de Castro, segundo o então presidente argentino, Carlos Menem. Depois, em jeito de brincadeira, disse aos jornalistas: "Não levou uma má gravata. É uma das melhores que usou na sua vida", indicou. Apesar disso, houve desacordo entre ambos.

A cimeira em San José, na Costa Rica, em 2004, ficou marcada por um sismo de 6,2 graus na escala de Richter, às 02.00 da manhã. De acordo com o então presidente da Costa Rica, Abel Pacheco, o monarca espanhol, não acostumado a esses fenómenos, pensou que era um comboio que passava perto do hotel.

Portugal já recebeu por duas vezes a Cimeira Ibero-Americana: em 1998, a reunião do Porto ficou marcada pela entronização de todos os líderes na Confraria do Vinho do Porto - e pelo discurso de duas horas e meia de Fidel numa festa de solidariedade com o povo cubano, à margem do encontro, que terá sido "o mais longo alguma vez proferido" em terras portuguesas. Na cimeira, discursou "só" durante mais de uma hora, não tendo os outros líderes excedido os dez minutos. Em 2009, foi a vez de o Estoril acolher a reunião.

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