Papa começa hoje viagem de três dias à Roménia na qual beatificará sete bispos

Francisco fará essa visita 20 anos depois de João Paulo II, o primeiro Papa a visitar este país de maioria ortodoxa.

O Papa Francisco viaja hoje para a Roménia para uma visita pastoral de três dias, durante a qual lembrará a perseguição soviética com a beatificação de sete bispos do rito greco-católico aprisionados nos anos 1950.

A viagem será ainda um novo passo no diálogo com os ortodoxos e uma atenção às minorias com uma visita a um bairro cigano.

Francisco fará essa visita 20 anos depois de João Paulo II, o primeiro Papa a visitar este país de maioria ortodoxa.

'Sa mergem împreuna -- Caminhemos juntos' é o lema oficial da visita apostólica de Francisco, com passagens pelas cidades de Bucareste, Iasi e Blaj, além do santuário mariano de Sumuleu Ciuc.

"Caminhamos juntos quando aprendemos a preservar as raízes e a família, quando cuidamos do futuro dos filhos e do irmão que está ao lado, quando vamos além dos medos e das suspeitas, quando derrubamos as barreiras que nos separam dos outros", referiu na mensagem.

O porta-voz do Vaticano, Alessandro Gisotti, explicou durante a apresentação da viagem que o chamado "ecumenismo do sangue" está novamente presente, a unidade de todos os cristãos através das diferentes perseguições por que passaram.

No final da Segunda Guerra Mundial (1945) um milhão e meio de católicos do rito oriental viveram na Roménia sofrendo uma dura perseguição. Centenas de sacerdotes greco-católicos foram presos e mortos na tentativa de os convencer mudarem-se para a Igreja Ortodoxa.

Mais tarde, o governo comunista declarou a Igreja greco-católica ilegal e confiscou seus edifícios e propriedades, uma questão que ainda está pendente nas relações entre o país e o Vaticano.

Em 19 de março, o Papa reconheceu o martírio sofrido por sete desses bispos, a maioria deles presos em 28 de outubro de 1948. Morreram na prisão devido às duras condições em que viviam e serão agora beatificados no chamado Campo da Liberdade de Blaj no último dia da viagem.

"Aquilo pelo que sofreram, a ponto de oferecer a vida, é uma herança muito preciosa para ser esquecida. E é uma herança comum, que nos chama a não nos distanciarmos do irmão que a compartilha", indicou o Papa, lembrando que a sua dedicação e sofrimento são um legado que não deve ser esquecido.

O Papa visitará ainda o bairro de Barbu Lautaru, onde a população é maioritariamente cigana.

O primeiro dia da viagem, depois de reuniões com o presidente e as autoridades do país, será dedicado ao diálogo ecuménico com um encontro com o Sínodo Permanente da Igreja Ortodoxa Romena e com o Patriarca Daniel.

O papa usará a visita para fortalecer laços com os ortodoxos, estando agendando um encontro com o ortodoxo romeno Patriarca Daniel antes de celebrar uma missa na catedral de S. Jose a população católica. Esperam-se cerca de 30 mil pessoas.

"Aguardo com grande expectativa a alegria de encontrar o Patriarca e o Sínodo Permanente da Igreja Ortodoxa Romena, como também os pastores e os fiéis católicos", afirma.

Relevante será também a missa no santuário de Sumuleu-Ciuc, sobretudo porque são esperadas mais de 110 mil pessoas, entre as quais muitos húngaros que vivem na Roménia ou que virão para a ocasião.

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