Gorila abatido para salvar criança: pais e zoo criticados

Os pais do rapaz que caiu no fosso dos gorilas são acusados de negligência e podem vir a ser processados. O zoo é censurado pela sua atuação

Os pais do menino que caiu no recinto de um gorila num jardim zoológico em Cincinnati, Estados Unidos, podem vir a ser processados, porque os funcionários do zoo viram-se obrigados a matar o animal para salvar a criança.

O caso está a revoltar as redes sociais. Várias pessoas pedem que os pais da criança sejam responsabilizados pelo incidente e criticam o modo de atuação dos serviços do zoo.

O gorila Harambe foi morto no sábado à tarde depois de um menino de 4 anos ter escalado a cerca que o separava do animal e ter caído no interior do recinto. Testemunhas dizem que o gorila, que agarrou na criança, estava apenas a protegê-la, mas as autoridades dizem que não tiveram outra opção senão matar o animal. O rapaz foi hospitalizado com ferimentos leves, mas sofreu apenas um traumatismo e alguns arranhões, segundo a mãe.

Num vídeo que mostra o momento, vê-se o gorila, de 180 quilos, a pegar na criança, que não para de chorar, e a levá-la para o meio do recinto.

Foi criada uma petição online, intitulada Justice for Harambe, que pede que os pais da criança sejam responsabilizados pela morte do gorila pois, se tivessem prestado mais atenção ao filho nada disto teria acontecido. A petição já tem mais de 48 mil assinaturas.

Nas redes sociais multiplicam-se as críticas aos pais e aos serviços do zoo. Utilizadores culpam os pais pela morte do "animal inocente", usando a hastag justiceforharambe.

Uma imagem que circula pelo Twitter diz que o gorila foi morto por ter tomado conta do menino melhor do que a mãe.

Michelle Gregg, mãe do menino, publicou uma mensagem no Facebook em que agradece o apoio que recebeu e explica como um dia divertido no jardim zoológico se transformou num pesadelo.

"Como sociedade, somos rápidos a julgar como um pai poderia tirar os olhos do filho. Se alguém me conhecesse saberia que eu presto muita atenção aos meus filhos", afirmou, defendendo-se das acusações de irresponsabilidade. "Acidentes acontecem e estou muito agradecida por as pessoas certas terem estado no sítio certo naquele dia", acrescentou.

Deidre Lykins, que testemunhou tudo, defendeu a mãe do rapaz no Facebook, realçando que a única coisa que separava as pessoas do gorila era "um fosso e alguns arbustos".

O diretor do jardim zoológico, Thane Maynard, numa entrevista ao jornal local WLWT, apoiou a decisão de abater o gorila dizendo que "foi uma escolha difícil mas foi a escolha certa, porque salvou a vida do rapaz".

O responsável explicou que, embora o gorila não estivesse a atacar a criança, tratava-se de um animal "extremamente forte numa situação tensa", portanto o menino corria risco de vida. E acrescentou que tranquilizar o gorila de 180 quilos não era o mais indicado pois o tranquilizante iria demorar algum tempo a fazer efeito e o mais importante era salvar a criança.

Várias testemunhas dizem que o gorila estava a tentar proteger o menino, incluindo Kim O'Connor, que estava no jardim zoológico quando tudo aconteceu e que diz que o gorila parecia querer afastar a criança das pessoas assustadas e tensas à sua volta. "Não sei se foi por causa dos gritos ou das pessoas que se penduraram no fosso, ou se o gorila pensou que elas iam entrar [no recinto] mas ele puxou o rapaz para mais longe das pessoas", disse ao jornal local.

Kim O'Connor contou ainda que, uns minutos antes do incidente, ouviu o menino a dizer à mãe que queria ir para a água. A mãe terá dito à criança que não podia ir para lá, mas num momento de distração a criança escalou a cerca e caiu. Brittany Nicely também estava no zoo com os filhos e disse que ainda tentou puxar o rapaz mas que não foi a tempo.

Segundo os serviços do jardim zoológico, havia mais dois gorilas no recinto mas foram retirados imediatamente quando o menino caiu. A criança de 4 anos ficou cerca de 10 minutos dentro da jaula do gorila até que os funcionários do jardim zoológico decidiram abatê-lo.

O gorila Harambe tinha completado 17 anos no dia anterior a ser morto.

O caso está a lembrar um outro que aconteceu na semana passada, quando um homem de 20 anos entrou na jaula de leões num jardim zoológico em Santiago de Chile, aparentemente numa tentativa de suicídio. Dois leões foram abatidos pelos funcionários do zoo para proteger o homem.

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