Outros sete atentados da história do Brasil

Tentativas de assassinato de políticos não são invulgares no país. Morreram nove autarcas a cada ano, entre 2007 a 2018

O Brasil é fértil em casos de tentativas de assassinatos, concretizadas ou não, de políticos: afinal, entre 2007 e 2018 morreram 97 prefeitos ou vereadores no país profundo (apenas cinco deles ocorreram em capitais estaduais), segundo levantamento realizado pelo site "Aos Fatos", em março deste ano, a propósito da execução de vereadora do PSOL do Rio de Janeiro Marielle Franco, último acontecimento deste tipo de repercussão nacional e internacional.

Entre teorias da conspiração, que atribuem as mortes do antigo presidente Juscelino Kubitschek, em acidente de viação, do presidente da Câmara dos Deputados Ulysses Guimarães e do candidato presidencial Eduardo Campos, ambos em acidentes aéreos, a atentados, eis uma lista de sete tentativas comprovadas de assassinato, desde a monarquia até este ano.

Dom Pedro II - 1889

Na sequência da aprovação da Lei Áurea, que incomodou os donos do poder esclavagista, Dom Pedro II, imperador do Brasil, estava com a cabeça a prémio quando, ao sair de uma peça no Teatro Sant´anna, foi surpreendido por um tumulto, seguido de três tiros. Conseguiu, no entanto, chegar à carruagem em segurança, sem ser atingido pelos tiros, segundo a polícia, disparados por um republicano português.

Prudente de Morais - 1897

O primeiro civil a assumir a chefia de estado e primeiro presidente eleito do Brasil saiu ileso de um atentado que vitimaria, porém, o seu Ministro da Guerra. Numa cerimónia militar, o soldado Marcelino de Melo encostou uma arma ao peito de Prudente de Morais, que conseguiu desviar-se com o auxílio da cartola. Na sequência do tumulto, o assassino atingiu com uma espada Marechal Bittencourt, o Ministro da Guerra, que tentava proteger o presidente. Manoel Victorino, vice-presidente, chegou a ser indiciado como autor moral do ataque mas acabaria ilibado por falta de provas.

José Pinheiro Machado - 1915

Francisco Coimbra esperou a chegada de José Pinheiro Machado, influente senador do Rio Grande do Sul, ao hall de entrada de um luxuoso hotel no Flamengo, no Rio de janeiro, para lhe desferir uma punhalada nas costas. Coimbra garantiu que agiu por conta própria.

João Pessoa - 1930

João Duarte Dantas, político de oposição e jornalista, indignado por ter a casa invadida supostamente a mando de João Pessoa, o então presidente da Paraíba, invadiu a confeitaria Glória, no Recife, e matou-o. O episódio foi o rastilho da Revolução de 1930, quando um golpe de estado liderado por Getúlio Vargas, aliado de Pessoa, derrubou o presidente Washington Luís.

Carlos Lacerda - 1954

Carlos Lacerda, o maior opositor do presidente Getúlio Vargas, foi atacado a tiros ao chegar à sua casa na Rua Tonelero, em Copacabana, no Rio. Ele sobreviveu. Não sobreviveria, no entanto, Getúlio, que se suicidaria 19 dias depois por causa desse e de outros episódios da atribulada vida política brasileira da época.

José Sarney - 1967

À época governador do Maranhão, o futuro presidente brasileiro iniciava o seu discurso durante um comício quando um jovem empunhando uma faca correu na sua direção gritando "Sarney, tu vai morrer e é agora". Todos ficaram em choque no palanque, menos o tio e assessor do governador, Albérico Ferreira, que intercetou o jovem.

Marielle Franco - 2018

Vereadora do Rio de Janeiro pelo partido de extrema-esquerda PSOL, a defensora dos direitos humanos Marielle Franco foi morta após uma palestra por nove tiros disparados de um carro que seguia ao lado do seu. O motorista, Anderson Gomes, também morreu. Na sexta-feira completam-se seis meses sobre o crime, sem que a polícia tinha identificado ainda os assassinos ou os mandantes da execução.

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