Ossos de porcos vêm resolver um dos maiores enigmas da pré-História britânica

Estudo publicado na revista científica Science Advances vem demonstrar "uma escala de movimento e nível de complexidade social que não era previamente apreciada".

Ossos e restos mortais de 131 porcos, descobertos em quatro complexos neolíticos na região de monumentos como Stonehenge e Avebury, provam que pessoas de toda a Grã-Bretanha se reuniam nesses locais para realizar cerimónias, na pré-Histórica.

A investigação, conduzida por Richard Madgwick e publicada esta quarta-feira na revista científica Science Advances, revela uma nova extensão dos movimentos populacionais na pré-história britânica.

O estudo resolve um dos maiores enigmas na pré-história britânica, ao revelar a larga escala dos movimentos das comunidades humanas na Grã-Bretanha durante o período Neolítico, último período da Idade da Pedra, marcado historicamente pelo início da sedentarização e pelo surgimento da agricultura.

O líder da investigação explicou: "Este estudo demonstra uma escala de movimento e nível de complexidade social que não era previamente apreciada".

"Estas reuniões podem ser vistas como os primeiros eventos que uniam culturalmente a nossa ilha, com pessoas de todos os cantos da Grã-Bretanha vindo para a região de Stonehenge para banquetear a comida que tinham transportado das suas casas."

Através de uma análise de isótopos, que identificou os sinais químicos da comida e água que os animais tinham consumido, os investigadores foram capazes de determinar as áreas geográficas de onde tinham sido criados. A investigação representa o olhar mais detalhado até à data, do nível de mobilidade por toda a Grã-Bretanha no tempo do Stonehenge.

O trabalho conduzido por Mdagwick, teve a colaboração de colegas da Universidade de Cardiff, assim como cientistas da Universidade de Sheffield e da University College, de Londres. O estudo "Multi-Isotope analysis reveals that feasts in the Stonehenge environs and across Wessex drew people and animals from throughout Britain" foi financiado pela Academia Britânica.

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