Onde está a princesa Latifa? Há dois meses que não é vista nem ouvida

Filha do emir do Dubai tinha fugido do país e gravou um vídeo onde dizia que corria perigo de vida. Foi detida e trazida de volta

Crescem as preocupações em torno de Sheikha Latifa, a filha do primeiro-ministro dos Emirados Árabes Unidos e emir do Dubai, Sheikh Mohammed, que fugiu do país e terá sido levada de volta, à força, pela família. A organização Human Rights Watch (HRW) afirma que a falta de notícias sobre a jovem de 32 anos pode qualificar-se "como um desaparecimento forçado", tendo em conta as provas que sugerem que a última vez que foi vista estaria a ser detida pelas autoridades dos Emirados Árabes Unidos.

Em março, a princesa partilhou um vídeo no YouTube a revelar que tinha fugido do país e descrevia o pai como "pura maldade", acusando-o de ser "responsável pela morte de muitas pessoas". Fonte próxima do governo do Dubai confirmou à imprensa que a princesa foi "trazida de volta".

"O que eu posso confirmar é que eles a encontraram e que ela foi trazida de volta", disse a fonte, que só deu a informação com a condição de preservarem o seu anonimato, diz o The Guardian.

A mesma fonte acrescentou que não sabia quem encontrou Sheikha Latifa, de 32 anos, ou quem a trouxe de volta ao Dubai, apenas que atualmente estava "com a família" e "muito bem".

Sheikha Latifa terá escapado do Dubai com a ajuda de amigos a bordo de um iate do francês Hervé Jaubert. A embarcação terá sido intercetada a 4 de março, a menos de 80 quilómetros da costa da Índia.

Em abril, surgiram notícias de que a princesa tinha sido "trazida de volta" para os Emirados Árabes Unidos. A HRW citou dois amigos de Sheikha Latifa que afirmam que a princesa não é vista nem ouvida há dois meses.

"As autoridades dos Emirados Árabes Unidos devem revelar imediatamente o paradeiro de Sheikha Latifa, confirmar o seu estado e permitir que ela contacte com o mundo exterior", disse a diretora da HRW, Sarah Leah Whitson, citada pelo Guardian.

"Se foi detida, têm de lhe ser assegurados os mesmos direitos que todos os detidos têm, inclusive ser ouvida por um juiz independente", acrescentou.

Os homens entraram no iate, apontaram armas [à princesa], deitaram-na ao chão e amarraram-lhe as mãos atrás das costas

O grupo de defesa dos direitos humanos citou o cidadão finlandês Tiina Jauhiainen, descrito como amigo de Sheikha Latifa, que era um dos vários estrangeiros no barco, dizendo que a guarda costeira indiana participou do ataque à embarcação em coordenação com as autoridades dos Emirados Árabes Unidos.

"Os homens entraram no iate, apontaram armas [à princesa], deitaram-na ao chão e amarraram-lhe as mãos atrás das costas", disse a Human Rights Watch. Os homens estariam a gritar em inglês: "Quem é Latifa?".

"Este vídeo pode salvar-me a vida"

No vídeo de 40 minutos, publicado em março, a mulher identificou-se como sendo Latifa Mohamed al Maktum e avisou que estava a fugir do seu país e do pai. A filha do emir do Dubai relata a primeira vez que tentou fugir do país, depois de a irmã fazer o mesmo, mas sem sucesso. Foi em 2002, quando tinha 16 anos. Acabou por ser apanhada. Conta que esteve presa durante três anos, período durante o qual foi torturada e até drogada.

"Não sei o que o meu pai me pode fazer. Ele é pura maldade. É responsável pela morte de muitas pessoas. A sua imagem de homem de família é um mero exercício de relações públicas", afirma, no vídeo, referindo-se ao emir do Dubai, considerado pela revista Forbes como o quinto monarca mais rico do mundo.

"Este vídeo pode salvar-me a vida e se o estão a ver é sinal que estou morta ou numa situação muito difícil", alertou a princesa.

"Por favor, ajudem-nos. Estão homens lá fora. Oiço disparos e estou escondida com a minha amiga". Estas foram as últimas palavras da princesa do Dubai que a advogada britânica Radha Stirling ouviu antes da chamada telefónica terminar. O apelo aconteceu no dia 4 de março.

Dubai diz que o caso é "uma questão doméstica que se transformou num romance que se transformou num esquema violento para manchar a reputação [do país]"

Segundo a fonte do jornal The Guardian, o tema é um "assunto privado" que diz ter sido "explorado" e acusa o país rival Qatar de ter alimentado a história.

"É uma questão doméstica que se transformou num romance que se transformou num esquema violento para manchar a reputação do Dubai e de Sheikh Mohammed", disse a fonte do governo de Sheikh Mohammed, acrescentando que os três principais companheiros de Latifa e que terão participado na tentativa de fuga - uma finlandesa e dois franceses, um deles com dupla cidadania norte-americana - são procurados no Dubai por acusações anteriores.

Recorde o vídeo onde a princesa revela o seu plano de fuga e os motivos:

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