Fragata com nome de almirante que nunca perdeu uma batalha está em Lisboa

A fragata batizada com o nome de Yi Sun Shin está ancorada junto da doca do Jardim do Tabaco e foi cenário da receção do Dia Nacional da Coreia do Sul. O comandante Lee Jung Ho falou ao DN sobre a tradição marítima do país.

"O almirante Yi Sun Shin venceu 23 batalhas. Nunca foi derrotado", diz com orgulho o comandante Lee Jung Ho, capitão da fragata sul-coreana que leva o nome do grande militar do século XVI. "Ao derrotar os invasores japoneses, o almirante mostrou o espírito de resistência nacional. É uma figura lendária na história da marinha coreana. E este navio, todos neste navio, e todos na marinha coreana, querem ser os herdeiros desse espírito de resistência, de bravura", acrescenta o capitão Lee, cuja fragata está até amanhã ancorada em Lisboa, junto da doca do Jardim do Tabaco.

Faz parte com a fragata Dae Chong, também fundeada no rio Tejo, de uma flotilha comandada pelo almirante Lee Su Yeol e que comporta 600 marinheiros, incluindo 73 cadetes.

O almirante Yu Sun Shin é também relembrado como o inventor do barco tartaruga, que foi decisivo para repelir as tentativas de invasão entre 1592 e 1596 por parte do Toyotomi Hideyoshi, que tinha acabado de reunificar o Japão com ajuda dos arcabuzes levados pelos portugueses. "O navio tartaruga foi o primeiro navio blindado da história, o primeiro couraçado. Graças a ele, a marinha coreana repeliu os invasores", sublinha o capitão Lee Jung Ho, sentado numa sala da fragata onde uma pintura mostra a estratégia naval da batalha de Myeongnyang. Com apenas 13 navios, o almirante Yi Sun Shin derrotou mais de 100 navios japoneses (outras estimativas falam de 300).

Sobre o atual clima de desanunviamento na Península Coreana, depois das cimeiras entre o presidente Moon Jae-in e o líder norte-coreano Kim Jong-un, o oficial diz não poder fazer comentários, e que aquilo que lhe compete, como militar, "é estar sempre pronto para qualquer situação". Diz ainda que a fragata que comanda não esteve envolvida diretamente em nenhum dos confrontos com a marinha norte-coreana nos últimos anos, mas é participante regular nas manobras militares feitas com os Estados Unidos.

Com um orçamento militar anual equivalente a 40 mil milhões de dólares, a Coreia do Sul é o décimo país no mundo que mais investe em defesa, só ultrapassado na Ásia Oriental pela China e pelo Japão.

É a terceira vez que a fragata Chung Mu Gong Yi Sun Shin ("Almirante Yi Sun Shin", em coreano) aporta em Lisboa, confirma-me Jin Sun Lee, que é funcionária da embaixada e que faz a tradução da conversa para português. Ela própria recorda-se de visitar o navio em 1992 e 2005, sendo uma coincidência este espaço de 13 anos entre as datas.

Para o capitão trata-se, porém, da primeira vez. E sabe que Portugal é um país de navegadores. "Na escola ouvimos falar das viagens de Vasco da Gama", diz.

A estada do navio em Lisboa serviu para o embaixador Park Chul-min celebrar o Dia Nacional da Coreia a bordo, com os convidados a poderem também assistir a danças e cantos tradicionais, pois está a decorrer a Semana Cultural da Coreia. Como é já hábito, a maioria das atividades (desde caligrafia de hangeul até workshops de dança K-pop) acontece no Museu do Oriente, em Lisboa, mas este ano Almada é também palco de alguns eventos, como o espetáculo de música coreana terça à noite no Teatro Municipal Joaquim Benite.

A fragata com o nome do célebre almirante coreano zarpa terça-feira para o Panamá. Entre a saída e o regresso à Coreia do Sul são mais de cem dias no mar e umas 33500 milhas náuticas, cerca de 60 mil quilómetros.

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