Novas imagens mostram que o Titanic está a desaparecer

Pela primeira vez em quase 15 anos, uma equipa de mergulhadores captou imagens do famoso navio que mostram o avançado estado de deterioração da embarcação

"O Titanic está a voltar à natureza". A afirmação é do historiador Parks Stephenson e baseia-se nas mais recentes imagens do famoso navio que se afundou no Atlântico em abril de 1912 na sua viagem inaugural, entre Southampton e Nova Iorque, depois de embater num iceberg. Imagens essas captadas por uma equipa de mergulhadores que mostram o avançado estado de deterioração da embarcação.

A equipa da empresa Triton Submarines efetuou cinco mergulhos, em oito dias, a 3800 metros de profundidade e constatou que o Titanic está a deteriorar-se mais rápido do que o previsto. O lado estibordo do alojamento dos oficiais é a parte mais degradada. Stephenson relatou à BBC que o que viu durante o mergulho foi "chocante".

"A banheira do capitão é uma das imagens favoritas entre os entusiastas do Titanic, mas isso já desapareceu", afirmou. O historiador estima que o teto inclinado da secção da proa seja a próxima parte do navio a desaparecer, escurecendo a vista do interior da embarcação.

As fortes correntes oceânicas, a corrosão salina e as bactérias que comem metais estão a contribuir para a rápida degradação do Titanic.

Pela primeira em quase 15 anos uma equipa de mergulhadores voltou a registar imagens daquele que foi considerado o maior navio de passageiros do mundo (269 metros de comprimento).

A importância dos destroços

A expedição foi filmada pela Atlantic Productions para um documentário e contou com cientistas que estudaram as criaturas que vivem nos destroços do Titanic.

"Há micróbios que estão a corroer o ferro dos destroços do navio criando estruturas 'rústicas', que são uma forma muito mais fraca do metal", afirmou a cientista Clare Fitzsimmons, da Universidade de Newcastle. Estas estruturas fragéis são estalactites de ferrugem que podem desintegrar-se numa nuvem de pó à mínima perturbação.

À BBC, Robert Blyth do Museu Nacional Marítimo de Greenwich, próximo de Londres, sublinha a relevância de mergulhar no Atlântico e documentar os destroços do navio no seu estado atual, uma vez que representam o único testemunho "que temos agora do Titanic". "Todos os sobreviventes morreram e então acho importante usar os destroços quando eles ainda têm algo a dizer", reforçou.

O navio está submerso há mais de 100 anos, a cerca de 600 quilómetros da costa de Newfoundland, no Canadá. Quando afundou estavam mais de duas mil pessoas a bordo. Cerca de 1500 morreram.