Não pagam impostos porque a terra é de Deus

Uma família da Tasmânia (Austrália) recusa-se a pagar impostos locais há sete anos e tem um argumento inovador: a terra pertence a Deus.

Os Beerepoot, que moram e trabalham na cidade de Chudlleigh, são proprietários de uma quinta de produção de mel, a Melita Honey Farm, que é também um ponto de interesse turístico.

Ora segundo as autoridades locais devem quase onze mil dólares australianos (7800 euros) de impostos imobiliários. Contudo recusam pagar, argumentando que de facto não são donos do terreno e que se reconhecessem alguém como proprietário estariam a reconhecer "um falso Deus".

O "mayor" local, Craig Perkins, admite que seria "uma desilusão" se a autarquia se visse obrigada a vender as propriedades dos Beerepoot. Mas avisa: "Eles terão de pagar as suas taxas."

No contencioso com as autoridades, os Beerepoot - emigrantes com origem na Holanda que chegaram à Tasmânia em 1990 - dizem acreditar que "Nosso Senhor é soberano e reina hoje". "Nós adoramo-Lo e só a Ele", dizem ainda, concluíndo: "Estão a pedir-nos devoção a um falso Deus, algo que não podemos fazer."

Neste conflito, as autoridades já penhoraram um carro aos Beerepoot. Contudo, Craig Perkins explica que a autarquia não poderá continuar a penhorar pequenos bens daquela família dado que isso não resolveria o problema de fundo.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Opinião

'Motu proprio' anti-abusos

1. Muitas vezes me tenho referido aqui, e não só aqui, à tragédia da pedofilia na Igreja. Foram milhares de menores e adultos vulneráveis que foram abusados. Mesmo sabendo que o número de pedófilos é muito superior na família e noutras instituições, a gravidade da situação na Igreja é mais dramática. Por várias razões: as pessoas confiavam na Igreja quase sem condições, o que significa que houve uma traição a essa confiança, e o clero e os religiosos têm responsabilidades especiais. O mais execrável: abusou-se e, a seguir, ameaçou-se as crianças para que mantivessem silêncio, pois, de outro modo, cometiam pecado e até poderiam ir para o inferno. Isto é monstruoso, o cume da perversão. E houve bispos, superiores maiores, cardeais, que encobriram, pois preferiram salvaguardar a instituição Igreja, quando a sua obrigação é proteger as pessoas, mais ainda quando as vítimas são crianças. O Papa Francisco chamou a esta situação "abusos sexuais, de poder e de consciência". Também diz, com razão, que a base é o "clericalismo", julgar-se numa situação de superioridade sagrada e, por isso, intocável. Neste abismo, onde é que está a superioridade do exemplo, a única que é legítimo reclamar?

Premium

Adriano Moreira

A crise política da União Europeia

A Guerra de 1914 surgiu numa data em que a Europa era considerada como a "Europa dominadora", e os povos europeus enfrentaram-se animados por um fervor patriótico que a informação orientava para uma intervenção de curto prazo. Quando o armistício foi assinado, em 11 de novembro de 1918, a guerra tinha provocado mais de dez milhões de mortos, um número pesado de mutilados e doentes, a destruição de meios de combate ruinosos em terra, mar e ar, avaliando-se as despesas militares em 961 mil milhões de francos-ouro, sendo impossível avaliar as destruições causadas nos territórios envolvidos.