Moscovo: mais de 20 mil manifestantes exigem "eleições livres"

É a segunda manifestação de protesto por as autoridades russas terem considerado inválidas cerca de 30 candidaturas da oposição a Putin às eleições locais de setembro, alegando que havia problemas com as assinaturas entregues. Uma das candidatas está em greve de fome. Manifestantes anunciaram novos protestos caso candidaturas não sejam aceites.

Depois de, no domingo passado, dezenas de apoiantes do líder da oposição Alexei Navalny terem sido detidos durante um protesto pelo mesmo motivo, milhares voltaram às ruas de Moscovo para manifestar a sua indignação por cerca de 30 candidatos às eleições locais de 8 de setembro terem visto as suas candidaturas rejeitadas. Apesar de terem entregue as 5000 assinaturas necessárias, estas foram consideradas não conformes pelas autoridades.

Os manifestantes consideram que a alegação das autoridades não tem fundamento e preparam-se para manter os protestos até que os candidatos sejam aceites. "Vamos mostrar-lhes que este é um jogo perigoso. Lutaremos pelos nossos candidatos", disse à multidão Alexei Navalny, ele próprio impedido de concorrer às presidenciais em 2018. Anunciou que uma nova manifestação terá lugar na próxima semana, a não ser que as candidaturas sejam validadas.

Navalny, 43 anos, líder do Futuro da Rússia (antes Partido do Progresso), que foi já várias vezespreso, conseguiu este ano uma vitória com a condenação da Rússia pelo Tribunal Europeu dos Direitos Humanos por "ter querido restringir as suas atividades públicas" ao colocá-lo "injustamente em prisão domiciliária". Uma das candidatas do seu partido, a advogada de 31 anos do Conselho Anticorrupção Lyubov Sobol, entrou em greve de fome há mais de uma semana em protesto pela não validação da sua candidatura.

No Facebook, os organizadores da manifestação, que foi autorizada, disseram querer uma Rússia "sem bandidos, aldrabões, ladrões e corruptos". Estes protestos surgem numa altura em que as taxas de aprovação de Putin parecem estar em queda devido à degradação do nível de vida dos russos, à noção de que existe corrupção generalizada e por o governo ter aumentado a idade da reforma em 2018 (de 55 para 60 anos nas mulheres e de 60 para 65 nos homens). Nas eleições locais de setembro de 2018 vários candidatos da oposição derrotaram os do partido do governo, algo que nunca antes sucedera.

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