Morrissey, um crachá e Jimmy Fallon. Como um pequeno partido saiu do anonimato

O homem que marcou os anos 80 como vocalista e compositor dos Smiths deu que falar porque foi ao programa do norte-americano Jimmy Fallon com um crachá de um partido nacionalista e anti-islamista.

Anne Marie Waters tem pregado no deserto. A sua mensagem e o seu passado colam-na - e ao partido que fundou em 2017, o For Britain - à extrema-direita. No site do partido, o For Britain é anunciado como um partido "positivo, pró-britânico e pró-democrático" e os seus dirigentes não se sentam "nem à esquerda nem à direita". Com a conta suspensa no Twitter, Anne Marie Waters já foi militante do Partido Trabalhista e do populista UKIP (inclusive chegou a concorrer à liderança), portanto já esteve à esquerda e à direita.

Lésbica, feminista e defensora dos direitos LGBT, faz da luta contra a islamização do Reino Unido a sua prioridade, o que lhe tem custado mais dissabores do que alegrias. "Somos a maioria decente, justa e de bom senso cuja voz foi ignorada durante demasiado tempo", lê-se no programa do partido. Ninguém o diria tendo em conta as reações nas redes sociais à ida de Morrissey ao Tonight Show.

O cantor sempre gostou de polemizar e os media fazem listas com as suas opiniões menos politicamente corretas, como esta da Buzzfeed. Talvez em resultado das suas afirmações, em novembro, um homem invadiu o palco em que atuava e agarrou-se a Morrissey até ser retirado pela segurança.

Mas desta vez o cantor radicado em Los Angeles recebeu uma chuva de críticas por ter usado um crachá em apoio do For Britain enquanto cantava um tema do novo álbum, California Son. As críticas estenderam-se também ao apresentador, Jimmy Fallon, como se lê no Daily Mail.

Morrissey já tinha demonstrado publicamente o apoio ao For Britain. "Para mim a constante alternância conservadores-trabalhistas não tem sentido. For Britain não teve qualquer atenção dos media e até tem sido rejeitado com a costumeira acusação de 'racista'. Acho que a palavra 'racista' já não tem qualquer sentido além de 'não concordas comigo então és racista'", declarou no ano passado. Disse ainda desprezar o fascismo e que faria "qualquer coisa pelos amigos muçulmanos" e terminou com a seguinte recomendação: "Ouçam-nos. Não se deixem influenciar pela tirania dos meios de comunicação de massas que vão dizer que o For Britain é racista ou fascista - acreditem-me, eles são o contrário!"

Uma das razões pelas quais o cantor defenderá o partido é o facto de o bem-estar animal estar no seu programa - e Morrissey é um ativista dos direitos dos animais. Já em 1985 o vegano Morrissey cantava Meat is murder (traduzível como "carne é assassínio"), nome também do segundo álbum dos The Smiths.

O que defende o For Britain

Afinal, o que defende este pequeno partido? Segundo o seu mais recente manifesto, advoga não só a saída imediata da União Europeia mas também trabalhar com outros "companheiros europeus" para acabar com a instituição. As outras prioridades são restaurar o estado de direito ("todas as pessoas a viver no Reino Unido estarão sujeitos às leis do Reino Unido", isto é, proibir os tribunais arbitrais muçulmanos) e a liberdade de expressão (pondo termo às leis que criminalizam o discurso de ódio); reduzir a imigração "baseando-se nos interesses e necessidades"; apoiar o setor público, em especial o serviço nacional de saúde e as forças armadas; acabar com o doutrinamento político nas escolas e proteger a cultura e as tradições britânicas.

E por fim uma das bandeiras da líder do partido, "acabar com a islamização do Reino Unido". Como? Além do que já foi referido quanto aos tribunais (ou conselhos da sharia) e à liberdade de expressão, defende a proibição das burcas por motivos de segurança, o registo civil dos casamentos islâmicos, o encerramento de mesquitas envolvidas em atividades criminosas como o casamento de crianças, e apoiar os cidadãos que deixem o islão de forma a não se sentirem ameaçados.

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