Morreu Ingvar Kamprad, o fundador da IKEA

Ingvar Kamprad morreu no sábado em Smaland, na Suécia, informou a empresa em comunicado

Ingvar Kamprad, o dono e fundador da icónica marca de mobiliário sueca IKEA, morreu aos 91 anos, revelou a empresa este domingo. "O fundador da IKEA e da Ikano, e um dos maiores empreendedores do século XX, Ingvar Kamprad morreu tranquilamente em casa em Smaland, na Suécia, no dia 27 de janeiro", informou a IKEA em comunicado, citado pelas agências internacionais.

"Foi um grande empresário, o típico sueco do sul - trabalhador e teimoso, caloroso e com um brilho de diversão no olhar. Trabalhou até ao final da vida, mantendo-se fiel ao lema de que a maioria das coisas está por fazer", acrescenta a nota da IKEA, sublinhando: "Sentiremos a falta dele e vai ser sempre recordado de forma sentida pela família e pelos funcionários da IKEA em todo o mundo".

Um dos homens mais ricos do mundo, levava um estilo de vida austero e tinha gastos parcimoniosos, que muitas vezes chegaram às páginas dos jornais: chegou a admitir que só comprava roupa em segunda mão e, no supermercado, escolhia sempre os alimentos no limite do prazo de validade. Ia aos mercados pouco antes do fecho, para tentar conseguir preços melhores nos legumes e na fruta que sobravam nas bancas. De origens humildes, Kamprad garantia que era da natureza dos habitantes de Smaland, a região sueca onde nascera, ter um comportamento frugal. Nem o facto de se ter aproximado brevemente dos ideais nazis afetou a empresa que criou, que é uma das marcas mais reconhecidas a nível global.

Nascido a 30 de março de 1926, Ingvar Kamprad tinha onze anos quando fez o seu primeiro 'grande negócio', mas desde os cinco que ia de porta em porta vender fósforos e postais de Natal. Os dividendos da transação - uma revenda de sementes de jardim - permitiram-lhe trocar a velha bicicleta da mãe por um modelo de corrida mais adequado às viagens que fazia na área da quinta de Elmtaryd, onde cresceu, junto à aldeia de Agunnaryd, no Sul da Suécia. A geografia exata pode ser desconhecida para muitos mas estas palavras acabariam por entrar no vocabulário de colaboradores e clientes da empresa que Kamprad criou aos 17 anos, em 1943, e que batizou com as iniciais do seu nome e dos locais que lhe eram mais próximos: IKEA (Ingvar Kamprad Elmtaryd Agunnaryd). Filho de um agricultor alemão descendente de uma família de comerciantes pelo lado materno, Kamprad desde cedo se aplicou na construção daquela que é hoje uma das dez marcas mais conhecidas no mundo e permanece em expansão.

Na década de 40, o futuro comerciante de móveis ainda vendia canetas de tinta permanente e isqueiros pelo correio. Ao ver que o seu maior concorrente se aventurara no mobiliário, decide lançar uma poltrona a que chamou Rut, por ser mais fácil fixar o nome do que o número do produto. Foi em 1948 mas mantém-se a tradição de atribuir nomes aos móveis da IKEA então promovidos através de um folheto e vendidos por encomenda. Os textos eram escritos pelo próprio Kamprad, que apelava à compra direta para evitar custos de distribuição e poder cortar no preço.

O êxito da investida ditou que em 1953 inaugurasse a primeira exposição de móveis, numa antiga fábrica de carpintaria, com o conceito de negócio que perdura até hoje e assenta nos princípios rígidos do homem que sempre geriu a empresa com mão de ferro mesmo quando a idade o obrigou a abandonar a direção e a tornar-se senior advisor.

Pode dizer-se que a IKEA cresceu moldada às adversidades colocadas ao seu fundador: a internacionalização resulta em muito da necessidade de procurar fornecedores na Polónia, quando a marca era boicotada na Escandinávia devido aos baixos preços que praticava.

O design próprio e as embalagens planas surgiram para cortar nos custos de transporte. E os restaurantes porque "um estômago vazio não compra móveis", além de divulgarem a gastronomia sueca. E foi depois de um incêndio na loja de Kungens Kurva (Estocolmo) - inspirada no Museu Guggenheim de Nova Iorque - que apareceu o self-service, deixando para o cliente o transporte e montagem dos móveis.

Sempre à procura de cortes nos gastos, em 1973, Kamprad saiu da Suécia para a Dinamarca, onde conseguiu obter impostos mais baixos para a Ikea, e foi o mesmo motivo que o levou a mudar-se para a Suíça anos depois.

Só em 2010 o multimilionário começou a retirar-se progressivamente da administração da Ikea e da fundação que constituiu em nome familiar para administrar a cadeia de lojas - que tem sede no Luxemburgo, conhecido como o paraíso fiscal da Europa: entregou a direção aos filhos - tem quatro - e regressou definitivamente à Suécia em 2014, depois da morte da mulher.

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