40 % dos jovens alemães dizem saber "quase nada" sobre o Holocausto

Hoje, a Alemanha e muitos outros países assinalam o Dia Internacional da Memória das Vítimas do Holocausto

O ministro alemão dos Negócios Estrangeiros avisou este domingo que a ascensão da extrema direita ameaça a cultura da memória sobre o Holocausto, apelando para que se mantenha viva a evocação daquele período. O risco torna-se mais evidente, segundo Heiko Maas, porque muitos jovens pouco sabem sobre o Holocausto.

Segundo investigações divulgadas recentemente, 40% dos jovens alemães afirmam não saber "quase nada" sobre o Holocausto, o que o chefe da diplomacia da Alemanha classifica como "números alarmantes".

"Temos de garantir que a nossa cultura de lembrança se torne uma cultura de conhecimento e que alcançar o conhecimento histórico seja útil para o presente", escreveu Maas, num artigo hoje publicado no semanário Welt am Sonntag, no dia em que se evoca a Memória das Vítimas do Holocausto.

A chanceler alemã, Ângela Merkel, disse na sua mensagem semanal de vídeo que há que "recordar as vítimas de racismo e ódio para que a história nunca se repita".

Atualmente, e pela primeira vez desde o fim da II Guerra Mundial, há um partido -- Alternativa pela Alemanha -- que está contra a evocação das vítimas do Holocausto.

Hoje, a Alemanha e muitos outros países assinalam o Dia Internacional da Memória das Vítimas do Holocausto -- 75 anos depois de o exército soviético libertar o campo de concentração de Auschwitz na Polónia ocupada.

Um em cada 20 britânicos não acredita que o genocídio de judeus tenha acontecido

Os números são também preocupantes, por exemplo, no Reino Unido, onde um em cada 20 adultos britânicos não acredita que o Holocausto tenha acontecido, e 8% dizem que a escala do genocídio foi exagerada, de acordo com uma pesquisa que marcou o Dia do Holocausto.

Quase metade dos entrevistados disseram não saber quantos judeus foram assassinados no Holocausto, e um em cada cinco subestimou o número, dizendo que menos de dois milhões foram mortos, conta o Guardian.

A pesquisa, encomendada pelo Holocaust Memorial Day Trust vai ao encontro das conclusões de uma pesquisa realizada em sete países europeus em novembro. O inquérito concluiu que uma em cada três pessoas sabia pouco ou nada sobre o Holocausto, e uma média de 5% disse que nunca tinha ouvido falar do assunto.

Em França, 20% das pessoas entre os 18 e os 34 anos disseram nunca ter ouvido falar do Holocausto; na Áustria, o valor era de 12%. Uma pesquisa realizada nos EUA em 2018 demonstrou que 9% dos millennials nunca ouviram falar do Holocausto.

"Uma só pessoa que questione a verdade do Holocausto já é demais"

A escala de ignorância sobre o Holocausto chocou os especialistas. Olivia Marks-Woldman, do Holocaust Memorial Day Trust, disse: "Devo salientar que não acho que os entrevistados sejam negadores ativos do Holocausto - pessoas que propositadamente propagam e disseminam distorções vis. Mas esta ignorância significa que são suscetíveis a mitos e distorções", disse a responsável.

A educação foi vital na luta contra a ignorância e o ódio, disse Karen Pollock, do Fundo Educacional do Holocausto. "Uma só pessoa que questione a verdade do Holocausto já é demais, e cabe-nos a nós redobrar os esforços para garantir que as gerações futuras saibam que isso aconteceu [e que foi] um dos episódios mais sombrios de nossa história".

O Dia Memorial do Holocausto será marcado por um evento nacional comemorativo no centro de Londres este domingo, com a participação de políticos veteranos, líderes religiosos e sobreviventes.

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'Motu proprio' anti-abusos

1. Muitas vezes me tenho referido aqui, e não só aqui, à tragédia da pedofilia na Igreja. Foram milhares de menores e adultos vulneráveis que foram abusados. Mesmo sabendo que o número de pedófilos é muito superior na família e noutras instituições, a gravidade da situação na Igreja é mais dramática. Por várias razões: as pessoas confiavam na Igreja quase sem condições, o que significa que houve uma traição a essa confiança, e o clero e os religiosos têm responsabilidades especiais. O mais execrável: abusou-se e, a seguir, ameaçou-se as crianças para que mantivessem silêncio, pois, de outro modo, cometiam pecado e até poderiam ir para o inferno. Isto é monstruoso, o cume da perversão. E houve bispos, superiores maiores, cardeais, que encobriram, pois preferiram salvaguardar a instituição Igreja, quando a sua obrigação é proteger as pessoas, mais ainda quando as vítimas são crianças. O Papa Francisco chamou a esta situação "abusos sexuais, de poder e de consciência". Também diz, com razão, que a base é o "clericalismo", julgar-se numa situação de superioridade sagrada e, por isso, intocável. Neste abismo, onde é que está a superioridade do exemplo, a única que é legítimo reclamar?