Merkel recusa cooperação com a extrema-direita sugerida por Orbán

A chanceler alemã, citada pela revista alemã Der Spiegel, excluiu a hipótese de o Partido Popular Europeu cooperar com a extrema-direita depois das eleições europeias de 23 a 26 de maio

"Não haverá qualquer cooperação com os partidos de extrema-direita após as eleições". Quem o diz é a chanceler alemã Angela Merkel, citada pela revista Der Spiegel, em resposta à sugestão feita pelo primeiro-ministro húngaro Viktor Orbán. Em visita à Nigéria, a governante alemã e ex-líder da CDU reafirmou o seu apoio a Manfred Weber, alemão bávaro da CSU candidato do Partido Popular Europeu à presidência da Comissão Europeia.

"O PPE prepara-se para cometer suicídio e quer ligar-se à esquerda. Temos que encontrar outro caminho de cooperação com a extrema-direita. Por causa disso eu acho que Salvini é a pessoa mais importante na Europa atualmente", disse Orbán, numa entrevista publicada, quinta-feira, pelo jornal italiano La Stampa. Ideia que repetiu no mesmo dia, quando recebeu na Hungria Matteo Salvini, vice-primeiro-ministro e ministro do Interior italiano, mas também líder do partido Liga. Na altura, o chefe do governo húngaro declarou que seria muito difícil para o seu partido, o Fidesz, permanecer no PPE se este decidir aliar-se a grupos políticos de esquerda como, aliás, foi sugerido por Weber.

O Fidesz encontra-se atualmente suspenso do Partido Popular Europeu devido a um conjunto de ações nos últimos anos, de desafio aos valores do partido, nomeadamente "a liberdade de expressão, científica e de educação". Além disto, o PPE exige esclarecimentos sobre o encerramento da Universidade Central de Budapeste. Muito recentemente, Orbán lançou na Hungria uma campanha de desinformação, que visava a política de imigração europeia, apontando o dedo, diretamente, a Jean-Claude Juncker, que além de presidente da Comissão Europeia, era também seu companheiro de partido.

No mesmo sentido falaram o chanceler da Áustria e o ministro presidente do estado federado da Baviera. "Acho que não devemos cooperar com partidos como a Alternativa para a Alemanha ou o de [Marine] Le Pen, que querem sair da União Europeia. Estes partidos excluem-se a si próprios ao terem posições antieuropeias", declarou Sebastian Kurz, que apesar de tudo na Áustria governa coligado com o partido de extrema-direita FPÖ.

"Não à cooperação na Europa com os populistas de extrema-direita claro. Nada de bom sairia daí", disse, por seu lado, Markus Söder, ministro presidente da Baviera e líder da CSU, partido aliado da CDU de Merkel. Estas declarações surgem depois da posição expressa por Orbán e numa altura em que Salvini tenta formar um novo grupo político no Parlamento Europeu com tudo o que nacionalistas, populistas e extremistas de direita. O líder húngaro ainda não esclareceu se sair do PPE e se junta a Salvini ou não. Prefere esperar pelo resultado das eleições europeias de 23 a 26 de maio. Por agora, as sondagens apontam para uma quebra do PPE e dos Socialistas e Democratas e para uma subida de eurocéticos e populistas na eurocâmara.

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