Merkel e Sánchez discutem problemas migratórios na Andaluzia

O primeiro-ministro espanhol está de férias com a família no Parque de Doñana e convidou a chanceler alemã para passar o fim de semana. Primeiro, houve um almoço de trabalho em Sanlúcar de Barrameda e uma conferência de imprensa.

Os grandes temas da agenda europeia estiveram no menu do almoço deste sábado entre o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, e a chanceler alemã, Angela Merkel, mas o problema migratório deverá dominar o fim de semana que ambos vão passar na Andaluzia, tendo em vista a cimeira sobre imigração que o chanceler austríaco, Sebastian Kurz, na presidência rotativa da União Europeia, convocou para 20 de setembro em Salzburgo.

Merkel e Sánchez lembraram que as questões migratórias são "um desafio comum" a todos os países da União Europeia e defenderam um maior apoio aos países de origem para travar a chegada de mais pessoas às costas europeias. Ambos rejeitaram "o oportunismo daqueles que propõem o regresso às soluções fracassadas".

Merkel e o marido, Joachim Sauer, foram recebidos por Sánchez e a mulher, Begoña Gómez, na entrada do Palácio de los Guzmanes, em Sanlúcar de Barrameda (Cádiz). Foi aqui que decorreu o almoço de trabalho entre os dois líderes, que viajam depois para o Palácio de las Marismillas, no Parque de Doñana.

O primeiro-ministro espanhol, que passa uns dias de férias com a família neste espaço, convidou a chanceler para o acompanhar durante este fim de semana. Merkel e o marido são adeptos das caminhadas e o domingo deverá ser um dia dedicado à natureza, no parque que é um santuário para o lince ibérico.

Mas primeiro é preciso preparar a estratégia para fazer face aos problemas migratórios. Com a política de tolerância zero de Itália e Malta, na rota do Mediterrâneo Central, Espanha tornou-se num dos principais pontos de entrada na Europa. Não só dos migrantes que cruzam ilegalmente o Mediterrâneo, com imagens de dezenas de pessoas a desembarcar nas praias da Andaluzia, mas também dos que saltam as cercas que separam os enclaves africanos de Ceuta e Melilla de Marrocos.

Já Merkel enfrenta uma forte contestação interna, dos parceiros bávaros da CSU, liderados pelo seu ministro do interior, Horst Seehofer, que ameaçou desfazer a coligação caso a Alemanha não fechasse as portas aos migrantes. Berlim, Madrid, junto com Paris e Lisboa, vão tentar apresentar uma frente comum em Salzburgo. Até agora falharam todas as propostas - desde as quotas de migrantes até às plataformas de desembarque fora da UE - e cada país ameaça seguir o seu próprio caminho.

Conferência de imprensa

"Temos de intensificar a cooperação com os países com África e abordá-lo de maneira conjunta", defendeu Merkel na conferência de imprensa, lembrando também que "o racismo que vemos em alguns membros [da União Europeia] não é um valor que se pode conciliar com os valores da UE". A chanceler defendeu também que "todos temos de assumir a nossa responsabilidade para encontrar uma solução para a crise migratória".

Sánchez também defendeu a cooperação com os países africanos, lembrando que Marrocos é um dos principais parceiros da União Europeia e que também está a sofrer com a pressão migratória e reiterando que é necessário haver um controlo das fronteiras externas da União Europeia. "A imigração não chegou com este governo, o que chegou foi a política migratória", referiu o primeiro-ministro espanhol, repetindo uma frase que tem vindo a usar desde que chegou à Moncloa, falando no plano de choque que lançou para acolher todos os migrantes que chegam ao país.

"Devemos combater o problema da imigração defendendo de forma decisiva a necessidade de uma visão de conjunto a um problema que afeta toda a Europa. Espanha e Alemanha partilhamos essa visão", referiu Sánchez, "A Europa deve rejeitar o oportunismo que existe na atualidade".

Acordo para devolução de migrantes

Entretanto, os governos alemão e espanhol assinaram um acordo para a devolução em 48 horas de migrantes que cheguem à fronteira da Alemanha e que tenham antes apresentado um pedido de asilo em Espanha. Um acordo que o El País apelida de "gesto simbólico", visto que em 2017 não houve nenhum caso registado. Merkel revelou que está a ultimar um acordo semelhante com a Grécia.

No segundo encontro bilateral entre ambos, depois da reunião de 26 de junho em Berlim, Sánchez e Merkel tinham previsto também falar sobre a reforma da união monetária e económica, da necessidade de reforçar o pilar social da União Europeia, nomeadamente em questões relacionadas com o emprego de qualidade, assim como de temas relacionados com uma defesa comum europeia.

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Nuno Artur Silva

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