May pede aos deputados para olharem para o acordo segunda vez

Na véspera da votação sobre o acordo de retirada da UE, a primeira-ministra reconheceu que o acordo não é perfeito, mas apelou aos deputados para voltarem a lê-lo e aprová-lo. May voltou a dizer que não vai pedir extensão do Artigo 50.º.

A primeira-ministra britânica voltou a dirigir-se aos deputados, agora no penúltimo dia de debate e na véspera da votação sobre o acordo de retirada da União Europeia. "Bloquear o Brexit é uma subversão da democracia. Por isso eu digo a todos os deputados, independentemente do que tenham antes concluído, para darem a este acordo uma segunda vista de olhos. Não, não é perfeito; é um compromisso.Mas quando os livros de história forem escritos, as pessoas vão olhar para a decisão desta Câmara amanhã e perguntar: concretizámos o voto do país para sair da UE?"

Theresa May trouxe como novidade (relativa) uma carta conjunta dos presidentes do Conselho e da Comisão, Donald Tusk e Jean-Claude Juncker, em que reiteram que a UE não deseja ativar o mecanismo de salvaguarda - a imposição de controlos entre a República da Irlanda e a Irlanda do Norte. Reafirmam que, se porventura o backstop fosse acionado, sê-lo-ia "apenas de forma temporária", até as partes chegarem a um acordo definitivo "que assegure a ausência de uma fronteira física na ilha da Irlanda numa base permanente".

Ambos os dirigentes repetiram também que nada pode ser alterado no acordo de saída entre o Reino Unido e os 27.

"Tempo de eleições"

Também o líder da oposição, Jeremy Corbyn, repetiu os seus argumentos, tendo defendido a realização de eleições gerais.

"Em dezembro o governo adiou vergonhosamente o voto para obter mais garantias. Ao receber a carta conjunta vê-se que falhou. A carta não contém mais do que palavras calorosas e aspirações. Nada mudou: se as garantias fossem vinculativas estavam no acordo. A carta conjunta diz que as negociações começam quando o Reino Unido sair. Mas como, se nem o governo se entende? Estou certo de que os deputados não vão ser enganados, este acordo é aquele que iríamos votar em dezembro", disse o trabalhista. Para concluir: "Prometeram-nos o mais fácil acordo de comércio da história. Entretanto as condições de milhões de pessoas continuam a piorar. O governo está em discórdia. Se o acordo foi rejeitado amanhã é tempo de eleições. É tempo de um novo governo."

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