Macron romeno vai liderar grupo Renovar a Europa no Parlamento Europeu

Ex-primeiro-ministro romeno e ex-comissário europeu da Agricultura, Dacian Ciolos, de 49 anos, foi eleito esta quarta-feira como líder do grupo dos liberais europeus apoiado pelo partido do presidente francês

Dacian Ciolos, ex-primeiro-ministro da Roménia e ex-comissário europeu da Agricultura, foi eleito esta quarta-feira como líder do grupo político dos liberais no Parlamento Europeu. Este chamava-se ALDE. Mas depois de passar a incluir os eurodeputados eleitos pelo La Republique en Marche do presidente francês Emmanuel Macron e outros, como a USR-PLUS de Ciolos, foi rebatizado e passou a designar-se Renovar a Europa. Além do apoio de Macron, avançou o Politico.eu, o romeno conta com o apoio do espanhol Ciudadanos, do alemão FDP e do VVD holandês.

Na corrida para a liderança do Renovar a Europa, o terceiro maior grupo político no novo hemiciclo, estavam ainda a eurodeputada holandesa Sophie in't Veld e o eurodeputado sueco Fredrick Federley. A primeira é apoiada pelo Democratas 66 da Holanda e os liberais-democratas do Reino Unido e o segundo por partidos liberais nórdicos como os da Dinamarca. Ciolos foi eleito com 65 votos. Vencedor, Ciolos poderá ser agora catapultado para um dos lugares mais importantes no Parlamento Europeu, dada a perda de importância dos dois maiores grupos, tradicionalmente, o Partido Popular Europeu e os Socialistas e Democratas.

O PPE reelegeu no início deste mês o alemão bávaro Manfred Weber como presidente do grupo. Os Socialistas e Democratas elegeram esta terça-feira como líder a espanhola basca Iratxe García depois da desistência, na véspera, do alemão Udo Bullmann. Os Verdes, que terão o quarto maior grupo no novo hemiciclo, serão copresididos pela alemã Ska Keller e pelo belga Philippe Lamberts. O novo grupo de extrema-direita, Identidade e Democracia, será liderado pelo italiano Marco Zanni. Este grupo inclui, entre outros, a Liga de Matteo Salvini e a União Nacional de Marine Le Pen. Falhou, porém, em conseguir convencer o Partido do Brexit do britânico Nigel Farage e o espanhol Vox a juntarem-se a eles.

O Renovar a Europa surgiu de uma joint venture entre o partido de Emmanuel Macron, o do primeiro-ministro holandês Mark Rutte, o do espanhol Albert Rivera e antigos membros do ALDE, entre os quais o partido de Guy Verhofstadt, ex-primeiro-ministro belga, eurodeputado, ex-candidato a presidente da Comissão Europeia e, atualmente, um dos nomes falados para ocupar a presidência do novo Parlamento Europeu que saiu das europeias e maio e será constituído a 2 de julho. O presidente de França, em particular, quer usar o novo grupo político europeu como plataforma de pressão no sentido de uma maior integração na União Europeia, em termos económicos e financeiros, sobretudo.

Formado em agronomia, Ciolos, de 49 anos, fez parte da sua formação em França e é tido como próximo de Michel Barnier, ex-ministro da Agricultura e Pescas francês e atual negociador chefe da Comissão Europeia para o Brexit. Em França conheceu a mulher, Valérie Villemin, uma especialista em assuntos agrícolas, com quem casou em 2000. Ex-ministro da Agricultura romeno e ex-primeiro-ministro da Roménia, Ciolos foi ainda comissário europeu responsável pela pasta da Agricultura no segundo mandato de Durão Barroso como presidente da Comissão Europeia. O sucessor de Barroso, Jean-Claude Juncker, nomeou-o depois como conselheiro especial para a área da segurança alimentar internacional.

O seu nome veio à baila depois de Nathalie Loiseau, cabeça de lista do partido de Macron nas europeias, ter cometido uma espécie de suicídio político. Numa conversa off-the-record com jornalistas franceses, que acabou por vir a público, a ex-ministra francesa para os Assuntos Europeus criticou os outros partidos membros do novo grupo europeu e prometeu "novos métodos, uma nova carta fundadora, uma nova liderança e um centro de gravidade menos nórdico".

Ciolos, cujo partido, USR-PLUS, é o terceiro maior do Renovar a Europa, com oito eurodeputados, foi a escolha óbvia. Pela sua capacidade de mudança e adaptação - é um ex-aliado do PPE - os media europeus já o apelidam de "o Macron romeno". Os seus conhecimentos na área da agricultura não serão de descurar durante as negociações, nos próximos meses, do próximo orçamento da Política Agrícola Comum para o período de 2021-2027.

Crítico dos sociais-democratas no poder na Roménia, cujo líder está preso por corrupção, Ciolos poderia eventualmente ceder à tentação de regressar à política nacional aquando das presidenciais romenas do final deste ano. Questionado sobre o assunto, o ex-chefe do governo, citado pelo Romania Insider, respondeu: "Durante o meu mandato, estou pronto para pôr toda da minha energia para fazer com que este grupo (Renovar a Europa) funcione e traga resultados concretos para os cidadãos".

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