Macron considera impossível adesão turca à União Europeia

Presidente Recep Tayyip Erdogan esteve ontem, pela primeira vez, em Paris desde o golpe falhado de 2016 na Turquia.

Foi uma conferência de imprensa movimentada, com perguntas e respostas diretas e alguns momentos de tensão, em que os presidentes francês, Emmanuel Macron, e turco, Recep Tayyip Erdogan, mostraram claramente, ontem em Paris, aquilo que os separa e o que os une. E, principalmente, porque é impossível a adesão da Turquia à União Europeia.

Falando após uma reunião no Eliseu, a que o dirigente turco chegou mais de 30 minutos atrasado, seguida de um almoço de trabalho, Emmanuel Macron frisou ter chegado a hora de "abandonarmos a hipocrisia". Isto para dizer que, perante "as recentes evoluções" no domínio dos direitos humanos na Turquia (leia-se desde o golpe militar falhado de julho de 2016), qualquer hipótese de adesão à UE é uma impossibilidade.

Aquilo que o presidente francês disse de um modo, o seu homólogo turco completou de outro: "Não podemos implorar permanentemente a entrada na UE." A Turquia "está cansada" de estar na "antecâmara da Europa". Há "54 anos", lembrou Erdogan. E lembrou que, dos 16 capítulos de negociações abertos, nenhum foi concluído. E 19 outros nem foram iniciados.

Perante esta constatação, foi a vez de o dirigente francês sugerir "uma forma de cooperação, uma parceria" para garantir a "ligação da Turquia e do povo turco com a Europa e contribuir para que o seu futuro se faça tendo presente a Europa".

A sugestão de Macron, que não deixou de criticar a ambiguidade de Bruxelas no processo das negociações, vai no sentido de declarações da chanceler Angela Merkel, na época da campanha para as legislativas de setembro, que defendeu a suspensão das negociações com a Turquia para reavaliação. As palavras do presidente francês, que não deixarão de ser apreciadas no seu país, têm ainda a virtude de recordar formas mais realistas de cooperação bilateral no quadro atual. Para sublinhar o que os divide, Macron entregou a Erdogan uma lista de pessoas consideradas injustamente detidas por Ancara.

Uma outra evidência daquilo que separa a Turquia da UE manifestou-se na própria conferência de imprensa, quando um jornalista francês interrogou Erdogan sobre uma eventual cumplicidade das autoridades de Ancara com o Estado Islâmico, no período de afirmação e apogeu deste grupo terrorista. A resposta do presidente turco foi inequívoca: "Falas como um terrorista, não falas como um jornalista." Noutro ponto, Erdogan criticou os "jardineiros do terrorismo", as "pessoas consideradas homens de ideias e pensamento", mas que apoiam os extremistas. Uma referência óbvia ao clérigo Fethullah Gülen, exilado nos EUA e que Erdogan acusa de ser o inspirador do golpe de 2016.

Mas ambos os presidentes reconheceram também pontos de convergência, como a necessidade de intensificarem as relações comerciais, parcerias na área das indústrias de Defesa e o reforço da cooperação na luta antiterrorista. Uma cooperação que é "estratégica e de qualidade", disse Macron.

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