Labour lidera intenções de voto para as europeias no Reino Unido

Partido de Jeremy Corbyn surge com 24% a 38% nas intenções de voto dos britânicos para as europeias. Um outro Jeremy, Jeremy Hunt, ministro dos Negócios Estrangeiros de Theresa May, diz que prioridade é aprovar um acordo do Brexit para evitar participação do Reino Unido nas eleições para o Parlamento Europeu

O ministro dos Negócios Estrangeiros britânico, Jeremy Hunt, afirmou, à BBC, que é uma absoluta prioridade o Reino Unido aprovar um acordo do Brexit até 22 de maio e evitar assim participar nas eleições europeias, no dia seguinte, 23 de maio.

Mas são poucos os que acreditam num entendimento entre os partidos políticos para se chegar a esse acordo, sobretudo entre o Partido Conservador de Theresa May e o Labour de Jeremy Corbyn. Isto depois de o acordo do Brexit negociado e fechado entre a primeira-ministra e a UE27 ter sido rejeitado, já por três vezes, na câmara dos Comuns.

Pelo sim, pelo não, os partidos britânicos estão a preparar-se para as europeias, apresentando listas de candidatos. Além dos partidos já existentes, como os conservadores, os trabalhistas, os liberais-democratas, os verdes, os nacionalistas escoceses, os galeses, o eurocético Ukip, surgem também agora o Partido do Brexit e o Change UK. Um é liderado por Nigel Farage, ex-Ukip, campeão do Brexit, outro é compostos pelos deputados do Grupo Independente. São eleitos que saíram dos Tories e do Labour em protesto pela forma como os dois partidos têm conduzido o processo de saída da UE.

As sondagens, para já, dão liderança ao Labour de Corbyn nas intenções de voto. Segundo os estudos de opinião recentes, o Labour tem entre 24% e 38% das intenções de voto dos eleitores britânicos com vista às europeias. Seguem-se os conservadores, com entre 16% e 23%, o Ukip com entre 7% e 14% e o Partido do Brexit com entre 10% e 15%. O Change Uk recolhe, para já, entre 4% e 7% das intenções de voto. Isto segundo dados das sondagens Opinium, YouGov e Hanbury Strategy. A primeira foi realizada entre 9 e 12 de abril junto de 2007 pessoas, a segunda entre os dias 10 e 11 de abril com recurso a 1843 entrevistas e a terceira entre os dias 5 e 8 de abril junto de 2000 pessoas.

Segundo o The Independent, o Labour poderá ter até 30 deputados no próximo Parlamento Europeu, que será constituído no dia 2 de julho. Isso poderá, no limite, vir a influenciar a escolha do próximo presidente da Comissão Europeia. Todas as projeções europeias feitas até agora não contavam com o Reino Unido e os seus 73 eurodeputados. A última, já deste mês, dava ao Partido Popular Europeu 184 eurodeputados e aos Socialistas e Democratas 135. Ambos os grupos políticos, até agora os maiores na eurocâmara, caem em relação a 2014, quando o PPE teve 221 eleitos e os S&D 191. O atual presidente da Comissão, o luxemburguês Jean-Claude Juncker, é saído do PPE.

Com os deputados conservadores britânicos fora do PPE, desde o tempo de David Cameron, quem iria ganhar com a eleição destes é o Reformistas e Conservadores Europeus (ECR), creditado, nesta projeção, com 63 eurodeputados. Se o Fidesz do húngaro Viktor Orbán, entretanto suspenso do PPE, decidir deixar o grupo depois das eleições, para se juntar ao grupo dos eurocéticos, populistas, nacionalistas e afins, isso poderá, igualmente, fazer moça no PPE. Atualmente, o Fidesz contribui com 11 eurodeputados na bancada do maior grupo político europeu e de centro-direita.

Nesta linha de raciocínio, se o Labour elegesse 30 eurodeputados, ainda segundo as projeções, os Socialistas subiriam para 165. E se o Fidesz saísse o PPE ficaria com 173 eleitos. Uma diferença de apenas oito eurodeputados. O que obrigaria forçosamente a negociar com outros partidos a eleição do próximo presidente da Comissão. O candidato dos Socialistas e Democratas é o atual vice-presidente da Comissão, Frans Timmermans, holandês. O do PPE é o alemão bávaro Manfred Weber, saído da CSU e apoiado por Angela Merkel, o qual é contra a realização de eleições europeias no Reino Unido. A terceira via é a candidata dos liberais do ALDE, a dinamarquesa Margrethe Vestager, atual comissária da Concorrência.

Porém, tudo depende também da vontade dos chefes do Estado e do governo da UE, que formam o Conselho Europeu, em respeitar o compromisso de que o novo presidente da Comissão deve refletir o resultado das eleições para o Parlamento. Apesar de em 2014 esse entendimento ter sido respeitado, tendo havido até debates entre os vários candidatos, se o resultado, desta vez, for uma eurocâmara altamente fragmentada, tudo se torna mais difícil. E os líderes da UE poderão cair na tentação de voltar a chamar a si - afinal é sua a última palavra - a escolha do sucessor de Juncker. Se o fizerem, porém, saberão que serão de imediato acusados de não respeitar a democracia e a vontade dos cidadãos europeus que são chamados a votar nas eleições para o Parlamento Europeu entre 23 e 26 de maio.

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