Juncker diz que europeus perderam a libido uns pelos outros

Presidente da Comissão Europeia diz que a instituição comunitária que lidera está a fazer o seu melhor mas que "não pode compensar a fraqueza dos governos nacionais e das democracias na Europa"

Numa altura em que os partidos eurocéticos, nacionalistas, populistas e de extrema-direita sobem na União Europeia, Jean-Claude Juncker considera que os cidadãos europeus já não gostam uns dos outros como acontecia no pós-II Guerra Mundial.

"Já não gostamos uns dos outros. Perdemos a nossa libido coletiva. Cinco ou seis anos depois da II Guerra Mundial ela existia. Porém, nos dias que correm, devia ser muito mais fácil aos europeus apaixonarem-se uns pelos outros do que era em 1952", afirmou o presidente da Comissão Europeia, em entrevista ao jornal alemão Handelsblatt.

Efetivamente, se se analisar as afirmações de alguns líderes europeus, sobre alguns dos seus homólogos ou sobre a própria UE, como por exemplo o italiano Matteo Salvini e o húngaro Viktor Orbán, amor não será a primeira coisa que elas acusam.

O ex-primeiro-ministro luxemburguês, de 64 anos, que deixa o cargo na Comissão em novembro próximo, considera que "a Comissão Europeia está a fazer o seu melhor. Mas não pode resolver todos os problemas, A Comissão não pode compensar a fraqueza dos governos nacionais e das democracias na Europa. Basta olhar para o Reino Unido. O facto de o governo e a oposição só agora terem começado a conservar um com o outro, três anos depois do referendo do Brexit, é um sinal bastante indicador da força que tem a democracia britânica".

No entanto, Juncker considerou que o Brexit, agora no congelador até pelo menos 31 de outubro, é um caso especial. "O Brexit é um caso especial. Se você apimentar um país, durante 40 anos, dizendo-lhe que ele não está bem na UE, então a decisão mais lógica é mesmo a de sair. A noiva sente-se sistematicamente insultada e, depois, rejeitada".

A confusão do Brexit levou a uma perda significativa de votos por parte dos conservadores de Theresa May e dos trabalhistas de Jeremy Corbyn nas eleições locais desta quinta-feira em Inglaterra. Quem subiu foram os liberais-democratas de Vince Cable, que são pró-União Europeia e, consequentemente, anti-Brexit.

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