Várias localidades da Cisjordânia foram hoje palco de confrontos entre manifestantes palestinianos e militares israelitas, enquanto na Faixa de Gaza populares queimaram fotografias de Donald Trump e de Benjamin Netanyahu e bandeiras dos Estados Unidos e de Israel..Os incidentes registaram-se em protestos contra a decisão, anunciada na quarta-feira pelo presidente dos Estados Unidos, de reconhecer Jerusalém como capital de Israel e de transferir a embaixada norte-americana de Telavive para a cidade considerada santa por cristãos, judeus e muçulmanos..O líder do movimento radical Hamas, que controla a Faixa de Gaza, apelou hoje a uma nova Intifada, depois de logo na quarta-feira dirigentes do movimento terem declarado três "dias de ira", entre hoje e sábado..Na Cisjordânia, grupos de centenas de manifestantes incendiaram pneus e lançaram pedras contra tropas antimotim..Na cidade bíblica de Belém, as tropas dispararam canhões de água e lançaram granadas de gás lacrimogéneo para dispersar uma manifestação e em Ramallah, sede do governo palestiniano, manifestantes incendiaram dezenas de pneus, provocando uma espessa nuvem de fumo negro sobre a cidade..Nos territórios palestinianos, as escolas e lojas não abriram hoje, primeiro de três "dias de ira" em protesto pela decisão do presidente norte-americano..Protestos foram realizados em várias localidades e também em Jerusalém, junto à Porta de Damasco, na cidade velha..[youtube:_brYh06qUkc].Até ao momento não há informações de vítimas graves dos confrontos..A decisão de Donald Trump contraria a política seguida há décadas pelos Estados Unidos em relação a Jerusalém e a posição aceite pela comunidade internacional de que o estatuto da cidade deve ser definido em negociações entre israelitas e palestinianos..O exército israelita anunciou entretanto que vai destacar forças suplementares na Cisjordânia, território palestiniano ocupado, mas não especificou o número de efetivos em causa. Um porta-voz do exército israelita indicou que os batalhões adicionais vão ser enviados para a Cisjordânia, e que outras forças estarão prontas para intervir..Rex Tillerson: Trump está a reconhecer a realidade.O secretário de Estado norte-americano, Rex Tillerson, considerou que Trump está apenas a reconhecer a realidade..Em declarações aos jornalistas à margem de uma reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros dos países da Organização para a Cooperação e Segurança na Europa (OSCE), Tillerson defendeu a decisão de Donald Trump e argumentou que o Presidente está apenas a reconhecer a realidade..Confrontado com a crítica generalizada dos ministros presentes na reunião e com o repúdio manifestado pelas autoridades palestinianas, Tillerson argumentou que os Estados Unidos ainda apoiam a solução de dois Estados para o conflito entre israelitas e palestinianos, "se for esse o desejo das duas partes"..Nas declarações citadas pela agência de notícias AP, Tillerson, cujo cargo equivale ao de ministro dos Negócios Estrangeiros, disse que o estatuto final de Jerusalém deve ser dirimido entre os israelitas e os palestinianos.."O mundo inteiro" quer um processo de paz e os Estados Unidos ainda acreditam que existe uma oportunidade, concluiu o governante..O primeiro-ministro israelita, por seu lado, defendeu hoje que o presidente dos Estados Unidos "entrou para sempre na história" de Jerusalém. "O Presidente Trump entrou para sempre na história da nossa capital e o seu nome será exibido orgulhosamente junto com outros nomes na gloriosa história da nossa cidade", disse Benjamin Netanyahu, num evento público organizado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros de Israel..O líder israelita manifestou-se ainda confiante de que outros países irão seguir a iniciativa dos Estados Unidos e mudar as suas embaixadas para Jerusalém..União Europeia e ONU preocupadas.A chefe da diplomacia da União Europeia (UE), Federica Mogherini, considerou que a decisão de Trump pode levar a "tempos ainda mais sombrios"..O anúncio do chefe de Estado norte-americano pode "levar-nos a tempos ainda mais sombrios do que os que vivemos hoje", disse numa conferência de imprensa em que reiterou que a UE defende a solução de Jerusalém como capital dos dois Estados de Israel e da Palestina.."O anúncio do Presidente Trump sobre Jerusalém tem um impacto potencial muito preocupante", acrescentou, sublinhando que o contexto da região "é muito frágil"..O Conselho de Segurança da ONU vai reunir-se de urgência na sexta-feira. Oito países que estão contra a decisão do presidente dos Estados Unidos - Bolívia, Egito, França, Itália, Senegal, Suécia, Reino Unido e Uruguai - solicitaram o encontro de urgência, pedindo ao secretário-geral da ONU que informe os 15 membros do conselho. António Guterres disse ontem que a paz no Médio Oriente só será possível concretizando a visão de dois estados, com Jerusalém como a capital de ambos, Israel e a Palestina.