Jeremy Corbyn: "Segundo referendo ao Brexit é opção para o futuro mas não para hoje"

Líder trabalhista defende que prioridade é convencer governo de Theresa May a deixar cair acordo alcançado com a União Europeia, até porque considerou ser certo este não irá passar no parlamento

O líder do partido Trabalhista britânico, Jeremy Corbyn, defendeu em entrevista à Sky News que a realização de um novo referendo sobre o Brexit "é uma opção para o futuro". Mas admitiu também que, no atual quadro político, não existem condições para avançar a curto prazo com uma nova consulta popular.

"Neste momento, a aritmética no parlamento é tal que o Brexit foi desencadeado, o artigo 50, votámos pelo artigo 50 para respeitar o referendo [de junho de 2016]. Quando [o jornal alemão] Der Spiegel me colocou esta questão, a resposta que dei foi que não podemos pará-lo, porque não temos os votos no Parlamento para o fazer", explicou, defendendo que a prioridade é convencer o executivo liderado por Theresa May a rever o acordo alcançado há dias com a União Europeia. Até porque este enfrenta forte oposição no próprio governo, tendo gerado já várias demissões.

"O que quero fazer é dizer ao governo: 'Vocês tiveram todo este tempo para negociar, vocês não vão conseguir passar isto no Parlamento. Não percam mais duas semanas, recuem já", disse o líder trabalhista.

Quanto à realização de um novo referendo, disse: "Penso que é uma opção para o futuro, não é uma opção para hoje, porque se tivermos um segundo referendo amanhã, será sobre o quê? Qual será a pergunta colocada?", questionou.

Desafiado a indicar que questão gostaria de ver nesse eventual referendo, e se esta incluiria voltar a colocar a hipótese de permanência na União Europeia nos boletins de voto, Corbyn contornou a questão, insistindo na prioridade da renegociação com Bruxelas: "Os testes contra o governo têm de ser feitos agora, e é o que estamos a fazer. O governo tem de voltar atrás e renegociar, ver com o que volta, e o parlamento tem de olhar para isso nessa altura. Penso que fazer qualquer outra coisa agora seria ignorar a realidade da situação".

Corbyn revelou ainda ter lido uma parte "substancial" do acordo de 500 páginas entre o Reino Unido e a União Europeia, considerando que "muito do mesmo é na realidade bastante vago".

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