Jeffrey Epstein. Milionário acusado de tráfico sexual encontrado morto na cela

Notícia está a ser avançada pelo jornal New York Times. Epstein, de 66 anos, estava detido em Manhattan e terá cometido suicídio.

O milionário norte-americano Jeffrey Epstein, detido há semanas sob a acusação de abuso sexual e tráfico de menores, foi encontrado morto este sábado na cela da prisão em Nova Iorque.

O aparente suicídio de Epstein, de 66 anos, ocorreu horas após a imprensa ter revelado novos dados, tornados públicos por ordem judicial, relativos à forma como funcionava o alegado esquema de recrutamento e exploração de menores por parte do milionário e de outros homens conhecidos como o príncipe André, do Reino Unido.

Além do príncipe André, acusado de tocar no peito de uma menor sueca, também o presidente Donald Trump foi associado a Epstein e às suas ligações com menores - tendo surgido imagens de festas em que ambos apareciam junto de mulheres jovens.

Jeffrey Epstein, que enfrentava uma pena de prisão até aos 45 anos e cuja alegada fortuna pessoal vinha a ser questionada nos últimos tempos, já fora encontrado há alguns dias inconsciente e com ferimentos na prisão de Manhattan.

George Conway, advogado e crítico acérrimo de Trump que é casado com uma das mais polémicas figuras da Casa Branca, usou as redes sociais para expressar o seu espanto perante o anunciado suicídio de jeffrey Epstein: "Isto aconteceu numa das mais seguras e importantes prisões do país."

Quanto à informação judicial revelada este sábado, foram mais de dois mil páginas com testemunhos e outros registos relacionados com o processo instaurado por uma das alegadas vítimas de Epstein, Virginia Giuffre, contra uma antiga namorada e confidente do milionário - a britânica Ghislaine Maxwell - por alegadamente ter um papel central nos esquemas de recrutamento e abuso sexual de menores.

Segundo as autoridades, Jeffrey Epstein enforcou-se no Centro Correcional Metropolitano de Manhattan, tendo o seu corpo sido encontrado cerca das 07:30 da manhã (menos cinco horas que em Portugal).

Investidor e com um estilo de vida faustoso, Jeffrey Epstein - cujas relações com menores eram conhecidas há muito - já tinha sido acusado no estado da Florida em 2008 por práticas sexuais com menores. Contudo, o acordo judicial permitiu-lhe evitar acusações a nível federal.

O escândalo político daí decorrente levou dias depois à demissão do secretário do trabalho da Administração Trump, Alexander Acosta, por ter aceite o referido acordo judicial com Epstein enquanto procurador federal na Florida.

No âmbito desse acordo, que arquivou um inquérito federal por abuso sexual de pelo menos 40 menores, Epstein deu-se como culpado a nível estadual e passou a constar dos registos de agressores sexuais - sem que isso evitasse a continuação dessas práticas e tenha levado a questionar o tipo de proteções de que gozou ao longo dos anos.

Além das exigências de demissão de Acosta feitas pelo Partido Democrata e na imprensa, o acordo judicial foi qualificado por um juiz federal como contrário às leis federais porque as vítimas não foram notificadas dos seus termos.

As próprias facilidades que lhe foram concedidas durante os 13 meses de prisão na Florida, não concedidas aos cidadãos comuns, foram outro dos aspetos que vieram a público nas últimas semanas e mais um exemplo dos privilégios que rodeiam certas figuras consideradas ricas e poderosas da sociedade norte-americana.

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