Tsipras assume responsabilidade política pela tragédia

Alexis Tsipras convocou os ministros para "assumir integralmente perante o povo grego a responsabilidade política desta tragédia".

O primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, assumiu nesta sexta-feira "a responsabilidade política pela tragédia" dos incêndios de segunda-feira no país, que fizeram pelo menos 86 mortos.

O chefe do governo grego, que falava num discurso ao seu Conselho de Ministros transmitido em direto pelos media, disse ter convocado os ministros para "assumir integralmente perante o povo grego a responsabilidade política desta tragédia".

Os incêndios de segunda-feira na Grécia fizeram pelo menos 86 mortos, segundo o mais recente balanço, divulgado nesta sexta-feira pelo chefe do serviço forense de Atenas, Nikos Karakukis.

Segundo as autoridades, continuam hospitalizadas 53 pessoas, entre as quais quatro crianças, e 11 dos feridos estão em estado crítico.

Das pessoas relatadas como desaparecidas, 40 já foram encontradas vivas, de acordo com o ministro da Proteção ao Cidadão, Nikos Toskas.

Até agora, não existe uma lista oficial de pessoas desaparecidas, porque entre as pessoas procuradas estavam as mortas e as autoridades não querem especular até que todos os corpos sejam identificados.

O governo grego divulgou na quinta-feira uma série de imagens de satélite que apontam premeditação dos incêndios.

De acordo com o Ministério das Infraestruturas, 51% dos 3546 edifícios já inspecionados estão inabitáveis.

O governo grego divulgou na quinta-feira uma série de imagens de satélite que apontam para premeditação dos incêndios.

O ministro da Proteção ao Cidadão disse ainda que não são apenas "sinais", mas há "evidências" e testemunhos que sustentam esta hipótese.

Foram registados em menos de meia hora treze focos diferentes, todos alinhados paralelamente à estrada, como mostram as fotos e os vídeos dos satélites.

O governo de Alexis Tsipras pediu ajuda internacional na noite de segunda-feira, tendo já alguns países respondido com meios de apoio.

Portugal disponibilizou 50 elementos da Força Especial de Bombeiros para ajudar a combater os incêndios na Grécia.

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