Grávida e filha mortas por míssil israelita em Gaza após ataque do Hamas

Israel bombardeou Faixa de Gaza em resposta a rockets que foram disparados pelo grupo radical palestiniano Hamas

Foi uma noite de violência para os habitantes da Faixa de Gaza e das localidades israelitas vizinhas desta parte dos territórios palestinianos. O Hamas, movimento radical palestiniano que é contra o Estado de Israel, disparou 180 rockets a partir de Gaza. Em resposta, Israel realizou 150 bombardeamentos sobre aquela parte dos territórios palestinianos.

Há, neste momento, três mortos a reportar. Entre eles estão uma mulher palestiniana grávida, de 23 anos, bem como a filha desta, 18 meses. O marido ficou ferido quando um dos mísseis israelitas caiu sobre a casa da família em Deir Al Balah, no centro de Gaza, informou o porta-voz do Ministério da Saúde de Gaza, Ashraf al-Qdra, citado pelas agências internacionais. A AFP identificou a mulher como Enas Khammash, a filha como Bayan e o marido como Etnas Khammash.

A outra vítima mortal é um palestiniano de 50 anos, segundo as mesmas fontes, havendo inúmeros danos materiais de ambos os lados.

A tensão israelo-palestiniana volta a estar em alta com esta troca de disparos entre o Hamas e Israel.

"As forças de resistência estão a fazer o que têm a fazer como parte da sua missão de proteger o povo palestiniano da agressão israelita. O ataque brutal de Israel, tomando civis como alvo, não será tolerado em silêncio e a ocupação vai pagar o preço", disse esta quinta-feira o porta-voz do Hamas, Abed Lateef Kano, citado pelo jornal israelita Haartez.

"Não desejamos a guerra e não estamos interessados em mais confronto mas, ao mesmo tempo, poderá acontecer porque nós não faremos concessões ao Hamas", declarou o ministro e membro do Conselho de Segurança israelita Yuval Steinitz, à rádio israelita, citado pela Reuters.

O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, agendou para esta manhã uma reunião com o ministro da Defesa e o chefe do estado maior israelita, antes de realizar, às 16.00, 14.00 em Lisboa, uma reunião com o Conselho de Segurança sobre Gaza, avançou o Haaretz.

Netanyahu tem tido todo o apoio do presidente dos EUA, Donald Trump, nas suas posições sobre o conflito israelo-palestiniano. O processo de paz está há anos em ponto morto e as divisões entre palestinianos, com o Hamas a liderar em Gaza e a Fatah na Cisjordânia, também não ajudam.

No Twitter, o enviado especial dos EUA para o Médio Oriente, Jason Greenblatt, apontou o dedo ao Hamas. "O regime do Hamas está a lançar rockets contra as comunidades israelitas. Outra noite de terror e famílias aterrorizadas pelo medo enquanto Israel se defende. O Hamas está a submeter as pessoas a condições terríveis de guerra uma vez mais".

O enviado da ONU para o Médio Oriente, Nickolay Mladenov, declarou durante a noite em comunicado: "Estou profundamente alarmado pela recente escalada de violência entre Gaza e Israel e, em particular, pelos rockets disparados contra as comunidades no sul de Israel".

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Patrícia Viegas

Espanha e os fantasmas da Guerra Civil

Em 2011, fazendo a cobertura das legislativas que deram ao PP de Mariano Rajoy uma maioria absoluta histórica, notei que quando perguntava a algumas pessoas do PP o que achavam do PSOE, e vice-versa, elas respondiam, referindo-se aos outros, não como socialistas ou populares, não como de esquerda ou de direita, mas como los rojos e los franquistas. E o ressentimento com que o diziam mostrava que havia algo mais em causa do que as questões quentes da atualidade (a crise económica e financeira estava no seu auge e a explosão da bolha imobiliária teve um impacto considerável). Uma questão de gerações mais velhas, com os fantasmas da Guerra Civil espanhola ainda presente, pensei.