Governo aconselha que portugueses peçam a dupla nacionalidade

Secretário de Estado das Comunidades volta a reforçar o pedido para os emigrantes no Reino Unido solicitarem a residência permanente e, quem preencher os requisitos, a dupla nacionalidade

O Governo português tem nas últimas semanas pedido aos emigrantes portugueses no Reino Unido para solicitarem a residência permanente naquele país. O pedido surgiu muito antes do dia do referendo que ditou a saída dos britânicos da União Europeia. O secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Luís Carneiro, afirmou agora que quem cumpra os requisitos deverá solicitar a dupla nacionalidade.

Em declarações ao Observador, José Luís Carneiro salientou ainda que haverá um reforço do Consulado Geral em Londres, com a chegada de um cônsul-geral adjunto e de também de pessoal que irá atender os emigrantes. "Os portugueses que tenham qualquer dúvida devem recorrer aos serviços consulares", afirmou.

O secretário de Estado das Comunidades tem nos últimos dias apelado aos portugueses que vivem no Reino Unido a acautelarem os seus direitos. Há dois dias explicou que o pedido de residência permanente "é uma preocupação que os portugueses com mais de cinco anos de trabalho no Reino Unido devem ter".

José Luís Carneiro referiu ao Observador que os consulados têm recebido milhares de pedidos de informação de portugueses. Assegurou ainda que Portugal irá manter contactos bilaterais para garantir que os direitos sociais e de liberdade de circulação de portugueses e de britânicos que estejam em Portugal, sejam salvaguardados.

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'Motu proprio' anti-abusos

1. Muitas vezes me tenho referido aqui, e não só aqui, à tragédia da pedofilia na Igreja. Foram milhares de menores e adultos vulneráveis que foram abusados. Mesmo sabendo que o número de pedófilos é muito superior na família e noutras instituições, a gravidade da situação na Igreja é mais dramática. Por várias razões: as pessoas confiavam na Igreja quase sem condições, o que significa que houve uma traição a essa confiança, e o clero e os religiosos têm responsabilidades especiais. O mais execrável: abusou-se e, a seguir, ameaçou-se as crianças para que mantivessem silêncio, pois, de outro modo, cometiam pecado e até poderiam ir para o inferno. Isto é monstruoso, o cume da perversão. E houve bispos, superiores maiores, cardeais, que encobriram, pois preferiram salvaguardar a instituição Igreja, quando a sua obrigação é proteger as pessoas, mais ainda quando as vítimas são crianças. O Papa Francisco chamou a esta situação "abusos sexuais, de poder e de consciência". Também diz, com razão, que a base é o "clericalismo", julgar-se numa situação de superioridade sagrada e, por isso, intocável. Neste abismo, onde é que está a superioridade do exemplo, a única que é legítimo reclamar?