Furacão Maria provocou milhares de mortos. Número oficial é 64

Estudo de Harvard contradiz estimativa do Governo porto-riquenho

Os números oficiais referem 64 vítimas mortais, mas de acordo com um estudo da Universidade de Harvard, divulgado esta terça-feira, terão morrido mais de 4600 pessoas em resultado da passagem do furacão Maria por Porto Rico.

De acordo com os investigadores, um terço das mortes após o furacão que assolou o arquipélago em setembro de 2017 teve origem nas interrupções dos cuidados médicos causados ​pela falta de energia - uma situação que se prolonga até hoje - bem como no corte das ligações rodoviárias.

O mesmo estudo, publicado no New England Journal of Medicine, aponta um aumento de 60% na mortalidade nos três meses após a tempestade.

O número avançado por Harvard representa um valor 70 vezes superior ao oficial, mas os investigadores referem que a contagem foi dificultada pela devastação generalizada causada pelo furacão.

De acordo com a BBC, os especialistas envolvidos no estudo de Harvard contactaram mais de 3000 famílias, selecionadas aleatoriamente entre janeiro e março deste ano, às quais colocaram questões sobre deslocações, perdas de infraestruturas e causas de morte. Os resultados foram depois comparados com as taxas oficiais de mortalidade para o mesmo período de 2016, um ano antes do furacão ter atingido a ilha.

O número oficial de vítimas mortais provocou uma forte onda de críticas da parte de investigadores e de porto-riquenhos, e o novo estudo refuta os métodos de contagem de mortos que o país utilizou - assim como a falta de transparência na partilha de informações - que são tidos como prejudiciais no planeamento de futuros desastres naturais.

Segundo o The Washington Post, os autores do estudo pediram para que pacientes, comunidades e médicos desenvolvessem planos de contingência para desastres naturais.

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