Foto de homem a abraçar bombeiro que se tornou símbolo da tragédia em barragem é de 2011

Imagem atribuída ao Corpo de Bombeiros de Minas Gerais foi partilhada nas redes sociais em solidariedade às vítimas do rebentamento em Brumadinhos, mas foi tirada há oito anos e noutro local.

Sem camisa e ainda sujo de lama, um homem abraça o bombeiro que o salvou. A imagem rapidamente se tornou símbolo da tragédia na barragem de Brumadinhos, que rebentou na sexta-feira, tendo feito pelo menos 84 mortos e 276 desaparecidos. Muitas pessoas partilharam a imagem nas redes sociais em solidariedade com as vítimas e em homenagem aos socorristas que trabalham sem descanso na região afetada pelas torrentes de lama.

Assinada Aislan Henrique, do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais, a fotografia foi na verdade tirada em 2011, quando um agricultor caiu numa cisterna de 17 metros e foi salvo por um bombeiro de Patos de Minas. De acordo com o jornal Estado de Minas, agricultor e bombeiro reencontraram-se cinco anos depois do salvamento.

A imagem do abraço foi republicada no Twitter dos Bombeiros dois dias antes do desastre em Brumadinho com a seguinte mensagem: "Aquele abraço de gratidão que dispensa as palavras, enobrece nosso trabalho e nos faz pessoas melhores. Bombeiro Militar, o amigo certo nas horas incertas!".

Neste novo post, o fundo foi cortado, desaparecendo o camião dos bombeiros, pessoas e uma casa, ficando apenas o abraço dos dois homens.

E se no primeiro dia, a imagem recebeu 359 gostos, tendo sido partilhada 83 vezes, no dia do rompimento da barragem de Brumadinhos rapidamente a imagem começou a aparecer nas redes sociais de vários políticos, do senador Álvaro Dias ao deputado Eduardo Bolsonaro, filho do presidente Jair Bolsonaro, passando pelo ministro Marcos Pontes. Mas terá talvez sido a partilha do surfista Gabriel Medina, que tem sete milhões de seguidores no Instagram, a contribuir para a disseminação da foto.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Opinião

'Motu proprio' anti-abusos

1. Muitas vezes me tenho referido aqui, e não só aqui, à tragédia da pedofilia na Igreja. Foram milhares de menores e adultos vulneráveis que foram abusados. Mesmo sabendo que o número de pedófilos é muito superior na família e noutras instituições, a gravidade da situação na Igreja é mais dramática. Por várias razões: as pessoas confiavam na Igreja quase sem condições, o que significa que houve uma traição a essa confiança, e o clero e os religiosos têm responsabilidades especiais. O mais execrável: abusou-se e, a seguir, ameaçou-se as crianças para que mantivessem silêncio, pois, de outro modo, cometiam pecado e até poderiam ir para o inferno. Isto é monstruoso, o cume da perversão. E houve bispos, superiores maiores, cardeais, que encobriram, pois preferiram salvaguardar a instituição Igreja, quando a sua obrigação é proteger as pessoas, mais ainda quando as vítimas são crianças. O Papa Francisco chamou a esta situação "abusos sexuais, de poder e de consciência". Também diz, com razão, que a base é o "clericalismo", julgar-se numa situação de superioridade sagrada e, por isso, intocável. Neste abismo, onde é que está a superioridade do exemplo, a única que é legítimo reclamar?

Premium

Adriano Moreira

A crise política da União Europeia

A Guerra de 1914 surgiu numa data em que a Europa era considerada como a "Europa dominadora", e os povos europeus enfrentaram-se animados por um fervor patriótico que a informação orientava para uma intervenção de curto prazo. Quando o armistício foi assinado, em 11 de novembro de 1918, a guerra tinha provocado mais de dez milhões de mortos, um número pesado de mutilados e doentes, a destruição de meios de combate ruinosos em terra, mar e ar, avaliando-se as despesas militares em 961 mil milhões de francos-ouro, sendo impossível avaliar as destruições causadas nos territórios envolvidos.