Ex-presidente Temer já se entregou à Justiça em São Paulo

Antecessor de Bolsonaro entregou-se duas horas antes do prazo fixado pela juíza.

Faltava pouco para as 15.00 quando o ex-presidente do Brasil Michel Temer se entregou à Polícia Federal de São Paulo, depois de um tribunal brasileiro ter determinado o seu regresso à prisão.

O Tribunal Regional Federal da 2.ª Região do Brasil (TRF-2) determinou na quarta-feira o regresso à prisão do ex-presidente Michel Temer e do coronel João Baptista Lima, acusado de ser operador financeiro do ex-chefe de Estado.

Por dois votos a favor e um contra, os juízes federais Abel Gomes, Paulo Espírito Santo e Ivan Athié decidiram pela revogação do habeas corpus que garantiu a saída de Temer e do coronel Lima da prisão, no Rio de Janeiro, no final de março, de acordo com a imprensa local.

Os magistrados decidiram ainda manter o habeas corpus concedido ao ex-ministro Wellington Moreira Franco, um importante colaborador de Temer.

O TRF-2 determinou que a decisão seja comunicada de imediato ao juiz Marcelo Bretas, da 7.ª Vara Criminal, para que este determine o prazo e o local para cumprimento das penas de prisão.

Antes de Temer se entregar, a defesa do ex-presidente apresentou um pedido de liberdade ao Superior Tribunal de Justiça. A defesa também pediu que, caso Temer seja preso, permaneça em São Paulo, estado de sua residência, e não no Rio.

Além deste caso, Temer é ainda investigado ou réu em outros cinco processos,

Michel Temer, 78 anos, foi detido no dia 21 de março, em São Paulo, a pedido dos investigadores da Operação Lava-Jato do Rio de Janeiro, e libertado no dia 25 desse mês, juntamente com o ex-ministro Moreira Franco, com o coronel Lima, apontado como operador financeiro do suposto esquema criminoso alegadamente comandado por Temer, e com outros cinco alvos da mesma operação.

Temer é o segundo ex-presidente brasileiro a ser detido no intervalo de um ano - o primeiro foi Lula da Silva, 73 anos, presidente pelo Partido dos Trabalhadores, que cumpre pena de prisão.

Michel Temer está a ser investigado em vários casos ligados àquela que é considerada a maior operação de combate à corrupção no Brasil, a Lava-Jato, que investiga desvio de fundos da empresa petrolífera estatal Petrobras.

Desde o seu lançamento, em março de 2014, a investigação levou à prisão empresários e políticos.

Temer, do partido Movimento Democrático Brasileiro (MDB), foi presidente entre agosto de 2016, na sequência da destituição de Dilma Rousseff (PT), e janeiro de 2019.

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