Juiz do caso Mensalão declara voto em Haddad

Joaquim Barbosa, que foi também um dos juízes que teve forte ação no processo Mensalão, declarou no Twitter que irá votar Haddad. "Pela primeira vez há um candidato que me inspira medo," afirmou, referindo-se a Bolsonaro.

Joaquim Barbosa, ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), declarou esta sábado que votará em Fernando Haddad (PT) neste segundo turno. Segundo ele, após avaliar os dois candidatos, optou pelo petista por medo do possível governo de Jair Bolsonaro (PSL). Em vídeo divulgado recentemente, Eduardo Bolsonaro, eleito deputado federal, disse que "um soldado e um cabo são suficientes para fechar o STF".

"Votar é fazer uma escolha racional. Eu, por exemplo, ponderei os aspetos positivos e os negativos dos dois candidatos que restam na disputa. Pela primeira vez em 32 anos de exercício do direito de voto, um candidato me inspira medo. Por isso, votarei em Fernando Haddad", escreveu Joaquim Barbosa.

Em 2012, o juiz teve forte atuação no julgamento do "Mensalão" e na Operação Lava Jato. Essa atuação fez de Barbosa um ancestral do juiz Sérgio Moro. O ex-juiz também foi contra o impeachment de Dilma Rousseff, chamado por ele de "Tabajara" e "espetáculo patético". No início do ano, ao se filiar ao PSB, havia a expectativa de que concorresse à Presidência da República.

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'Motu proprio' anti-abusos

1. Muitas vezes me tenho referido aqui, e não só aqui, à tragédia da pedofilia na Igreja. Foram milhares de menores e adultos vulneráveis que foram abusados. Mesmo sabendo que o número de pedófilos é muito superior na família e noutras instituições, a gravidade da situação na Igreja é mais dramática. Por várias razões: as pessoas confiavam na Igreja quase sem condições, o que significa que houve uma traição a essa confiança, e o clero e os religiosos têm responsabilidades especiais. O mais execrável: abusou-se e, a seguir, ameaçou-se as crianças para que mantivessem silêncio, pois, de outro modo, cometiam pecado e até poderiam ir para o inferno. Isto é monstruoso, o cume da perversão. E houve bispos, superiores maiores, cardeais, que encobriram, pois preferiram salvaguardar a instituição Igreja, quando a sua obrigação é proteger as pessoas, mais ainda quando as vítimas são crianças. O Papa Francisco chamou a esta situação "abusos sexuais, de poder e de consciência". Também diz, com razão, que a base é o "clericalismo", julgar-se numa situação de superioridade sagrada e, por isso, intocável. Neste abismo, onde é que está a superioridade do exemplo, a única que é legítimo reclamar?