Estreia de filme polémico de Bollywood marcada por protestos

O filme "Padmaavat" também estreia hoje em Portugal

Pneus queimados nas ruas e lojas vandalizadas. É este o cenário em várias cidades indianas, nos protesto contra o lançamento do filme Padmaavat. Vários cinemas foram mesmo obrigados a cancelar sessões do filme de Bollywood, que é acusado de distorcer a história da rainha hindu Padmaavati.

Vários grupos acusam o realizador do filme, Sanjay Leela Bhansali, de distorcer a história, já que o filme retrata um governante muçulmano, Alauddin Khilji, como amante de Padmaavati, uma rainha hindu do clã guerreiro Rajput. Os produtores negam a acusação.

"Se vocês têm liberdade de escrita e de expressão, nós também temos liberdade de protesto", referiu Lokendra Singh Kalvi, líder do Shri Rajput Karni Sena, um grupo conservador na vanguarda dos protestos, em declarações à Reuters.

As manifestações ocorrem na mesma altura em que a capital indiana, Nova Deli, recebe líderes de dez nações do sudeste asiático, naquele que é o primeiro dia de uma cimeira que celebra 25 anos de laços com a região e um dia antes do desfile anual e celebrações do Dia da República da Índia.

Os filmes indianos que abordam as relações históricas dos hindus, a religião maioritária, e muçulmanos são muitas vezes controversos.

Em Raipur, a capital do estado central de Chhattisgarh, o líder de outro grupo Rajput, o Sarwa Kshatriya Mahasabha, foi detido pela polícia, na quarta-feira, juntamente com 30 pessoas, em protestos em frente a um cinema. Os presos foram entretanto libertados.

As autoridades disseram que foram tomadas providências para garantir que os protestos se mantivessem pacíficos. "Temos tudo preparado nos locais para que tudo corra pacificamente", assegurou Amresh Mishra, fonte da polícia, em declarações à Reuters.

Padmaavat, com uma duração de 163 minutos, explora a luta do governante muçulmano, Alauddin Khilji, contra o rei Rajput de Chittor, pela rainha Rani Padmavati. A protagonista, Deepika Padukone, recebeu mesmo ameaças de mortes, depois de um político do partido no poder na Índia ter oferecido uma recompensa de 100 milhões de rupias (1,3 milhões de euros) a quem a decapitasse.

Os produtores do filme referiram, repetidamente, que a história é inspirada num poema épico com o mesmo nome, mas o grupo Karni Sena mostrou-se cético. No entanto, e apesar de o cerco ao forte de Chittorgarh ter realmente acontecido, no século XVI, há poucas provas de que a rainha Padmaavat seja uma figura histórica real.

O tema chegou ao supremo tribunal indiano, que deu luz verde para o lançamento do filme e proibiu os governos locais de impedirem a estreia.

Mas Padmaavat ainda não estreou em alguns locais, desde o estado ocidental de Gujarat até ao centro de Madhya Pradesh e Rajasthan - grandes mercados para a indústria cinematográfica de Índia -, por receio de violência. Madhya Pradesh Rajasthan é liderado pelo partido de Bharatiya Janata, do primeiro-ministro Narendra Modi.

"É uma grande perda para nós, porque este é um grande filme que gostaríamos de mostrar nos nossos cinemas", lamentou Sandeep Jain, dono de sete cineteatros em Madhya Pradesh, em declarações à Reuters. "Não tivemos apoio da administração local".

O filme estreia hoje, quinta-feira, nos cinemas UCI Arrábida 20 no Porto e El Corte Inglés de Lisboa.

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