Espanha vai ter a sua primeira general

Mais de três décadas depois da entrada das mulheres no exército espanhol, o país vai ter a sua primeira general. Em Portugal, Regina Mateus foi promovida no ano passado, tornando-se a primeira mulher a ocupar este posto na história das Forças Armadas portuguesas

Chama-se Patrícia Ortega García, tem 56 anos, é de Madrid e vai ser a primeira mulher a ter a patente de general das Forças Armadas espanholas. A promoção da coronel é dada como certa, vai ser votada esta sexta-feira em Conselho de Ministros e acontece 31 anos depois da entrada das mulheres no exército espanhol.

Neta, filha e irmã de militares, esta engenheira agrónoma, casada e com três filhos, depressa percebeu que a sua vida passaria por uma carreira militar. Foi uma das primeiras mulheres a passar as portas dos quartéis espanhóis. Em 1988 entrou para a Academia Militar de Zaragoza, tendo prosseguido a sua formação na Escola Politécnica Superior do Exército de Terra, na especialidade de construção.

Esta não é a primeira vez que Patrícia Ortega García faz história nas Forças Armadas de Espanha. Desde o início da sua carreira militar que esta mulher tem sido uma pioneira. Foi a primeira espanhola a ser promovida a tenente-coronel e seis anos depois sobe a coronel.

No final da década de 80, Patricia Ortega entrava num mundo reservado aos homens, um ambiente difícil, admitiu em agosto de 2016 numa entrevista ao El País. "No início havia muita pressão. Sentia-me muito observada, estava sempre debaixo de uma lupa", recordou.

"Se algum homem faz alguma coisa não se julga o coletivo masculino por uma atuação individual. No caso das mulheres não é assim", reforçou as diferenças que sentiu quando entrou nos quartéis espanhóis. Mais de 30 anos depois prepara-se agora para ocupar o topo da hierarquia militar.

Desde 2018 que Portugal tem uma general nas Forças Armadas

Com base nos últimos dados disponíveis, o diário refere que atualmente existem 15 286 mulheres nas Forças Armadas espanholas, o que representa 12,7% do total. Em Portugal, a representação feminina situa-se nos 10% O chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas, almirante António Silva Ribeiro, considera que há um decréscimo, uma vez que em anos anteriores este número já foi de 13%, disse esta quarta-feira à Lusa.

Desde 2018 que Portugal tem uma mulher no topo da hierarquia militar. A 21 de dezembro, a coronel Regina Mateus foi promovida a brigadeiro-general e tornou-se na primeira mulher a ocupar este posto na história das Forças Armadas portuguesas.

A promoção aconteceu 30 anos depois da entrada das primeiras mulheres nas Forças Armadas.

Médica de cirurgia geral, Regina Mateus, de 53 anos, é a diretora do Hospital das Forças Armadas, cargo que ocupa desde julho de 2017. Nasceu em Moçambique, licenciou-se em medicina pela Universidade de Coimbra, em 1991, e ingressou no quadro permanente da Força Aérea em 2003.

Participou em várias missões ao serviço da NATO, nomeadamente no Afeganistão, Lituânia, Noruega, São Tomé e Príncipe e Líbia.

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