Ensino de português nos Estados Unidos cresceu nos últimos anos

Há hoje mais três mil alunos a estudar português nos Estados Unidos do que há três anos. O secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Luís Carneiro, está de visita à Califórnia

O número de estudantes de língua portuguesa no ensino básico e secundário dos Estados Unidos teve um "aumento muito significativo" desde 2015, de acordo o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Luís Carneiro, que se encontra em visita à Califórnia, o Estado americano com a maior comunidade luso-americana do país, com mais de 300 mil pessoas.

O número de alunos que estudam português naquele país, nestes níveis de ensino, é agora de 18.638, mais cerca de três mil em relação ao ano letivo 2015/2016.

O governante atribuiu o crescimento a um "conjunto de esforços" que inclui o reconhecimento do português como língua estratégica pela administração federal norte-americana e os acordos celebrados pelo Instituto Camões com escolas comunitárias, escolas públicas e universidades.

Os acordos "têm permitido reforçar as condições logísticas em termos didático-pedagógicos para o ensino da língua portuguesa", disse à Lusa o secretário de Estado, referindo a oferta dos manuais escolares e a realização de exames de certificação de proficiência linguística.

Os números indicam que há nos Estados Unidos 406 professores a ensinar língua portuguesa no ensino básico e no secundário, e 648 cursos em 176 escolas, havendo 16 universidades a lecionar português no nível de ensino superior.

José Luís Carneiro inicia o roteiro em São Francisco e segue para Hilmar, no vale de São Joaquim, onde irá reunir-se com professores de português de uma das regiões com maior densidade de população luso-americana do Estado.

Em março, o governo nomeou pela primeira vez um coordenador-adjunto de ensino de português para a Califórnia, Duarte Pinheiro, que está a trabalhar em concertação com o coordenador João Caixinha, em Boston.

A decisão foi uma resposta ao aumento da procura pelo ensino de língua portuguesa, mas também um reconhecimento do défice de alunos na Califórnia, face à dimensão da comunidade luso-americana.

"Trata-se de um grande Estado e a dispersão da comunidade dificulta a eficácia na resposta", disse o governante, referindo que a nomeação pretende reforçar as estratégias de incentivo ao ensino de português.

"Era necessário dar outra eficácia ao trabalho de apoio às escolas e à coordenação dos esforços desenvolvidos pelo movimento associativo, associações de pais e alunos", explicou José Luís Carneiro.

A prioridade da visita do secretário de Estado à costa Oeste é a ida a escolas onde existe ensino de língua portuguesa, nomeadamente a Elim High School e a San José High School.

"Vamos agora visitar essas escolas, dialogar com o coordenador do ensino e a cônsul-geral, ouvir os nossos cônsules honorários e verificar os termos em que poderemos aperfeiçoar esse trabalho de coordenação", adiantou o governante.

Aposta no pré-escolar

A Califórnia é o Estado com a maior comunidade luso-americana do país, mais de 346 mil pessoas, e tem 2200 alunos a aprender língua portuguesa nas escolas, o que é desproporcional em relação à base de alunos potenciais - apesar de constituir um aumento de 18% face ao ano letivo anterior.

A estratégia que tem resultado é a introdução da aprendizagem de português no pré-escolar, com crianças a partir dos três anos.

"Conseguimos garantir que do pré-escolar ao secundário haja uma continuidade nos modelos de ensino e de aprendizagem", disse o responsável, referindo que isso torna a língua "cada vez mais apelativa" para as famílias, "porque sentem que não há interrupção entre os diversos níveis de ensino".

A visita de José Luís Carneiro aos Estados Unidos tem também o objetivo de promover as 3500 vagas que existem no ensino superior para portugueses e lusodescendentes no estrangeiro, através do Contigente Especial para Candidatos Emigrantes Portugueses e Familiares.