Enquanto o Ocidente franze a testa a Putin, os russos aprendem a via militar

Educação patriótica aumentou após a anexação da Crimeia. Maioria dos milhares de cadetes são filhos de militares

O presidente Vladimir Putin pode ser criticado pelo Ocidente pela anexação da Crimeia em 2014, mas em casa a sua aprovação pública disparou.

A operação para controlar a península da Ucrânia, saudada pelos nacionalistas russos como a Primavera da Crimeia, levou a um aumento do que é chamado de “educação militar e patriótica” dos jovens russos.

Na região de Stavropol, no Sul, foi reavivado o interesse nos cossacos, um grupo de guerreiros dos tempos dos czares, bem como da história de guerras czaristas e modernas que Moscovo travou na região do Cáucaso do Norte.

Os cossacos, retratados como agricultores pacíficos em tempos de paz, foram rápidos a repelir ataques de regiões vizinhas, como a Chechénia e o Daguestão, e em juntarem-se às campanhas militares de Moscovo noutros locais.

“O amanhã começa hoje”, diz o mote de uma escola de cadetes em Stavropol que recebeu o nome de Alexei Yermolov, o general do século XIX que conquistou o Cáucaso para o império russo.

A maioria dos cadetes são oriundos de famílias de soldados russos no ativo ou de oficiais de outras forças de segurança. Cerca de 40% dos alunos juntam-se às Forças Armadas ou às forças de segurança quando deixam a escola. Muitos instrutores passaram anos em “zonas quentes” ou de conflito.

Um grupo de adolescentes do clube Patriota da Crimeia visitou no verão o campo da escola, batizado de Cavaleiros Russos. Cerca de seis mil rapazes e raparigas treinam aqui a cada verão. Este campo treina mais de 1500 adolescentes todos os anos. Exercícios físicos andam a par de treinos com armas, testes de aptidão, condução de automóveis e até paraquedismo.

Jornalista da Reuters

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