Em liberdade após ajudar a mulher a morrer, Ángel pede legalização da eutanásia

Há três décadas que María Carrasco sofria de esclerose múltipla. Ao juiz, Ángelo, o marido que a ajudou a morrer, admitiu que lhe "deu o produto" para que acabasse com a sua vida.

"A minha mulher já morreu, já está feito. A estas pessoas é preciso dar resposta e só se pode com a eutanásia." Ángel Hernández, que foi detido em Madrid depois de ajudar a sua mulher a morrer, ficou em liberdade sem medidas cautelares e pede agora que o seu caso possa servir para ajudar "outras pessoas que estão na mesma situação".

Ángel, de 70 anos, ajudou a sua mulher, de 62 anos, a morrer. Há três décadas que María José Carrasco sofria de esclerose múltipla. Detido pelas autoridades na quarta-feira e presente a tribunal na quinta-feira à tarde, ficou em liberdade e espera agora a decisão judicial. É acusado de assistência ao suicídio e pode ser condenado com uma pena de seis a dez anos de prisão, mas com atenuantes poderá ter que cumprir dois ou menos. Também existe a hipótese de indulto.

"Disse que tudo o que fiz foi pela minha mulher e agora encontro-me afetado pela sua morte. Os funcionários e a polícia empatizaram comigo, portaram-se muito bem e estavam de acordo comigo. Disseram-me expressamente", afirmou à saída do tribunal de Plaza de Castilla.

Ángel assumiu às autoridades que foi ele que "deu o produto" à mulher para que esta acabasse com a sua vida, porque a morfina já não estava a ter resultado. "A minha mulher pediu-me sempre e nos últimos quatro meses pedia-me constantemente. Quando decidimos, a minha mulher disse: a mim não me chega a eutanásia, que seja pelos outros'", referiu.

Contou ainda aos jornalistas que decidiu gravar tudo em vídeo. "Há três ou quatro meses disse-lhe que se queria que eu fizesse isso, tinha que me pedir, para que não pensassem que foi forçada. Por isso fui gravando, para que tivesse provas de que me pedia", explicou.

"Deixou de sofrer, é muito importante para mim", disse Ángel Hernández, que explicou que agora irá preparar o funeral da mulher "sem espetáculos". Deixou o tribunal com a advogada e com o irmão da sua falecida mulher, Carlos, que o tem apoiado.