Inédito: Trump arrasa May em entrevista ao Sun e diz que Boris Johnson seria "excelente" primeiro-ministro

Entrevista a tabloide, divulgada no dia da chegada, está a provocar manifestações em Londres.

Donald Trump arrasou a nova estratégia da primeira-ministra britânica Theresa May para o brexit, acusando-a de estar a arruinar o objetivo dos britânicos de saírem da União Europeia, com a sua abordagem "suave" das negociações com Bruxelas, o que deverá "matar" futuros acordos comerciais com os EUA.

As declarações foram feitas durante uma entrevista ao jornal The Sun, na qual o presidente dos EUA afirmou ainda que o ex-ministro dos Negócios Estrangeiros britânico Boris Johnson daria um "excelente" primeiro-ministro.

A entrevista de Trump foi revelada enquanto decorria um jantar de boas-vindas de May ao presidente norte-americano e parece está a incomodar. O jornal The Guardianconsiderou que se trata de uma entrevista "extraordinária", que ameaça minar a nova estratégia de May, ao "humilhá-la abertamente".

Do outro lado do Atlântico, o The New York Times também diz que a entrevista é uma "notável quebra de protocolo", com a marca de Trump de "diplomacia confrontacional e disruptiva". O Washington Post fala em entrevista explosiva,

Acusando a primeira-ministra de fazer um "brexit light", Trump disse ao The Sun que "se [os britânicos] fizerem um acordo [como o que está em cima da mesa], nós vamos negociar com a União Europeia, em vez de negociarmos com o Reino Unido, pelo que provavelmente isso vai matar o acordo" com o Reino Unido.

O presidente norte-americano, que comparou o referendo de junho de 2016, no qual se decidiu a saída do Reino Unido da União Europeia, com as eleições norte-americanas desse mesmo ano ano, disse: "O acordo que ela está a procurar obter é muito diferente do que aquele pelo qual as pessoas votaram".

Trump também disse ao tabloide que tinha aconselhado May durante as negociações britânicas com Bruxelas, mas que esta o tinha ignorado.

Johnson daria um "excelente" primeiro-ministro

Trump disse ao mesmo jornal, apenas alguns dias depois de Johnson ter saído do governo de Governo de May, que Johnson é alguém "muito talentoso" e que gosta "muito" dele. E acrescentou: "Penso que ele seria um grande primeiro-ministro. Penso que tem o que é preciso".

No mesmo registo, declarou-se "muito entristecido" por ver Johnson sair do Governo, manifestando-se esperançado em que "ele volte" e elogiando-o diretamente: "Acho que ele é um grande representante do vosso país".

Quando questionado diretamente sobre se pensa que Johnson pode um dia substituir May, recusou responder, dizendo que não estava interessado "em pôr um contra o outro".

Boneco gigante incomodou

Durante a mesma entrevista, o presidente norte-americano revelou que foi informado da existência de um balão gigante, do 'Bebé Trump', que vai ficar a flutuar hoje em Londres, junto ao parlamento, enquanto decorre uma manifestação de protesto contra Trump.

Ao justificar ao jornal o facto de passar pouco tempo em Londres, Trump disse: "Penso que quando põem balões para me fazer sentir indesejado, não há razões para ir a Londres".

Trump responsabilizou o presidente da câmara de Londres, Sadiq Khan, que é muçulmano, pela atmosfera da cidade e pelo recente atentado terrorista.

Sadiq Khan autorizou os manifestantes a exibirem o balão, com seis metros de altura, mostrando Trump como um bebé zangado e de fraldas.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ruy Castro

À falta do Nobel, o Ig Nobel

Uma das frustrações brasileiras históricas é a de que, até hoje, o Brasil não ganhou um Prémio Nobel. Não por falta de quem o merecesse - se fizesse direitinho o seu dever de casa, a Academia Sueca, que distribui o prémio desde 1901, teria descoberto qualidades no nosso Alberto Santos-Dumont, que foi o verdadeiro inventor do avião, em João Guimarães Rosa, autor do romance Grande Sertão: Veredas, escrito num misto de português e sânscrito arcaico, e, naturalmente, no querido Garrincha, nem que tivessem de providenciar uma categoria especial para ele.

Premium

João Taborda da Gama

Le pénis

Não gosto de fascistas e tenho pouco a dizer sobre pilas, mas abomino qualquer forma de censura de uns ou de outras. Proibir a vista dos pénis de Mapplethorpe é tão condenável como proibir a vinda de Le Pen à Web Summit. A minha geração não viveu qualquer censura, nem a de direita nem a que se lhe seguiu de esquerda. Fomos apenas confrontados com alguns relâmpagos de censura, mais caricatos do que reais, a última ceia do Herman, o Evangelho de Saramago. E as discussões mais recentes - o cancelamento de uma conferência de Jaime Nogueira Pinto na Nova, a conferência com negacionista das alterações climáticas na Universidade do Porto - demonstram o óbvio: por um lado, o ato de proibir o debate seja de quem for é a negação da liberdade sem mas ou ses, mas também a demonstração de que não há entre nós um instinto coletivo de defesa da liberdade de expressão independentemente de concordarmos com o seu conteúdo, e de este ser mais ou menos extremo.

Premium

Bernardo Pires de Lima

Em contagem decrescente

O brexit parece bloqueado após a reunião de Salzburgo. Líderes do processo endureceram posições e revelarem um tom mais próximo da rutura do que de um espírito negocial construtivo. A uma semana da convenção anual do partido conservador, será ​​​​​​​que esta dramatização serve os objetivos de Theresa May? E que fará a primeira-ministra até ao decisivo Conselho Europeu de novembro, caso ultrapasse esta guerrilha dentro do seu partido?

Premium

Catarina Carvalho

O populismo na campanha Marques Vidal

Há uma esperança: não teve efeito na opinião pública a polémica da escolha do novo procurador-geral da República. É, pelo menos, isso que dizem os estudos de opinião - o número dos que achavam que Joana Marques Vidal devia continuar PGR permaneceu inalterável entre o início do ano e estas últimas semanas. Isto retirando o facto, já de si notável, de que haja sondagens sobre este assunto.