Trump: "Podia tirar os EUA da NATO, mas não será necessário"

As exigências de Donald Trump para que os membros da NATO aumentem já a despesa com a Defesa lançaram o pânico entre os aliados e motivaram uma sessão de emergência

A reunião dos países da NATO em Bruxelas entrou em sessão de crise na sequência de palavras duras de Trump, num ataque que lançou o pânico entre os líderes mundiais: se não aumentarem imediatamente os gastos com Defesa, os Estados Unidos vão "seguir o seu próprio caminho", disse o líder norte-americano, citado por fontes do Washington Post.

Contudo, reclamando vitória, Trump disse estar satisfeito com o compromisso assumido, em Bruxelas, pelos aliados de aumentarem "substancialmente" as suas despesas militares, assumindo que na véspera foi "muito firme".

"Podia tirar os EUA da NATO, mas não será necessário", afirmou o presidente. "Hoje, fizemos progressos tremendos. Todos na sala concordaram pagar mais e pagar mais rapidamente, como nunca antes. A NATO está muito mais forte hoje do que há dois dias", disse Trump numa conferência de imprensa.

Merkel também disse que há um "claro compromisso" com a NATO, por parte de todos, admitindo que a Alemanha tem de fazer mais. "Tivemos uma cimeira muito intensa", reconheceu, citada pela Reuters, caracterizando do debate como "fundamental".

O presidente francês, Emmanuel Macron, negou contudo que Trump tenha ameaçado sair da NATO ou que tenha havido qualquer compromisso dos aliados para aumentar as despesas nacionais com Defesa para lá dos 2% do PIB (uma meta acordada em 2014 para ser cumprida até 2024).

"O presidente Trump nunca, em algum momento, quer público quer privado, ameaçou sair da NATO", disse Macron.

"A NATO está mais forte" do que há dois dias e as conclusões da cimeira vão mostrar que a "forma harmoniosa" com que os 29 aliados chegaram a acordo "sobre o que devem fazer em conjunto", afirmou o primeiro-ministro português, António Costa, lembrando que as relações entre os EUA e a Europa "têm uma longa tradição" e que, mesmo sob a presidência de Donald Trump, "são aliados de confiança".

Portugal é um dos países que tem que aumentar as suas despesas militares até aos 2% do PIB. "Não creio que seja uma matéria que introduza dificuldades acrescidas. Este ritmo de convergência é conhecido. O objetivo e o compromisso que foi assumido com a NATO em 2014 é também conhecido. É mais um constrangimento nas decisões orçamentais que temos que tomar", defendeu o primeiro-ministro português.

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