"Corta bem a linha". Cidade de Bilbau distribuiu kits para consumo de cocaína

Autarquia disse estar a zelar pela segurança dos consumidores de drogas

A cidade espanhola de Bilbau, no País Basco, está a ser criticada por distribuir kits para o consumo seguro de cocaína e outras drogas inaláveis. O kit, que inclui um cartão do tamanho de um cartão de crédito, era dado aos sábados à noite nas zonas de lazer e durante as festas de agosto da cidade, uma iniciativa do departamento de saúde da autarquia.

Mas, perante as críticas de que este ato incentivava o consumo de drogas, as autoridades locais decidiram interromper a distribuição das embalagens, segundo o El País.

"Corta bem a tua linha. Se não for bem cortada pode danificar as tuas narinas", lia-se no cartão que trazia o logótipo da cidade de Bilbau. O kit informava ainda aos consumidores de droga que não deveriam partilhar materiais, para evitar o "contágio de doenças respiratórias e hepatites".

O governo local explicou que o kit era dado em "pontos de informação personalizada" e com o objetivo de "minimizar os danos" do consumo de drogas inaláveis.

"O nosso objetivo não é promover o consumo, mas sim, se ele vai acontecer, garantir que é um consumo seguro, responsável e minimizar os riscos e danos para a saúde", disse Yolanda Díez, responsável pela área da saúde da cidade.

Díez afirmou ainda que o kit era uma forma de dar "informação, orientação e acompanhamento personalizado" aos jovens em matérias de "saúde sexual e drogas". A iniciativa começou em maio e foram distribuídos centenas de kits.

O porta-voz do Partido Popular de Bilbau, Luis Eguiluz, foi uma das vozes contra esta iniciativa. "Mesmo que a campanha se desenvolva num centro de informação personalizado dirigido ao consumidor de droga, é um autêntico despropósito entregar uma espécie de kit de consumo com um slogan tão ligeiro e frívolo e em tom quase festivo", disse Eguiluz ao El País.

Segundo a AFP, que cita dado do relatório europeu de droga de 2017, a Espanha tem a segunda mais alta taxa de consumo de cocaína na Europa, depois do Reino Unido.

Ler mais

Exclusivos

Premium

João Gobern

Tirar a nódoa

São poucas as "fugas", poucos os desvios à honestidade intelectual que irritem mais do que a apropriação do alheio em conluio com a apresentação do mesmo com outra "assinatura". É vulgarmente referido como plágio e, em muitos casos, serve para disfarçar a preguiça, para fintar a falta de inspiração (ou "bloqueio", se preferirem), para funcionar como via rápida para um destino em que parece não importar o património alheio. No meio jornalístico, tive a sorte de me deparar com poucos casos dessa prática repulsiva - e alguns deles até apresentavam atenuantes profundas. Mas também tive o azar de me cruzar, por alguns meses, tempo ainda assim demasiado, com um diretor que tinha amealhado créditos ao publicar como sua uma tese universitária, revertido para (longo) artigo de jornal. A tese e a história "passaram", o diretor foi ficando. Até hoje, porque muitos desconhecem essa nódoa e outros preferiram olhar para o lado enquanto o promoviam.

Premium

Rogério Casanova

Três mil anos de pesca e praia

Parecem cagalhões... Tudo podre, caralho... A minha sanita depois de eu cagar é mais limpa do que isto!" Foi com esta retórica inspiradora - uma montagem de excertos poéticos da primeira edição - que começou a nova temporada de Pesadelo na Cozinha (TVI), versão nacional da franchise Kitchen Nightmares, um dos pontos altos dessa heroica vaga de programas televisivos do início do século, baseados na criativa destruição psicológica de pessoas sem qualquer jeito para fazer aquilo que desejavam fazer - um riquíssimo filão que nos legou relíquias culturais como Gordon Ramsay, Simon Cowell, Moura dos Santos e o futuro Presidente dos Estados Unidos. O formato em apreço é de uma elegante simplicidade: um restaurante em dificuldades pede ajuda a um reputado chefe de cozinha, que aparece no estabelecimento, renova o equipamento e insulta filantropicamente todo o pessoal, num esforço generoso para protelar a inevitável falência durante seis meses, enquanto várias câmaras trémulas o filmam a arremessar frigideiras pela janela ou a pronunciar aos gritos o nome de vários legumes.