Corbyn anuncia que Labour apoia segundo referendo ao Brexit

O líder trabalhista vai apresentar ou apoiar uma emenda que defenda um novo voto sobre a saída do Reino Unido da União Europeia para evitar "Brexit conservador prejudicial".

O líder do Labour, Jeremy Corbyn, anunciou que vai apresentar ou apoiar uma emenda no Parlamento britânico a favor de um segundo referendo sobre o Brexit, algo que até agora tinha recusado fazer abertamente apesar de no Congresso trabalhista essa hipótese ter sido aprovada.

A proposta de Corbyn tem dois passos. Primeiro, o líder do Labour quer forçar a primeira-ministra britânica, Theresa May, a adotar a sua visão do Brexit - que inclui uma união aduaneira, proximidade com o mercado único, garantir a proteção dos trabalhadores, compromisso na participação nas agências europeias em programas como o ambiente ou educação, e um acordo em relação ao acesso ao mandado de captura europeu e às bases de dados de segurança.

O segundo passo é apoiar uma emenda que retira de cima da mesa a hipótese de um Brexit sem acordo, ao mesmo tempo que irá "apresentar ou apoiar uma emenda a favor de um voto público para impedir que um Brexit conservador prejudicial seja imposto ao nosso país", disse.

May vai ao Parlamento esta terça-feira apresentar os avanços das negociações com Bruxelas, pedindo aos deputados que votem na sua declaração. Como habitualmente, os deputados podem introduzir emendas ao texto e será nessa ocasião que entrará em cena o Labour. As emendas são discutidas e votadas na quarta-feira.

Corbyn, na reunião com os deputados do partido que terá ainda esta segunda-feira, vai dizer que a primeira-ministra está "imprudentemente a deixar o relógio andar, numa tentativa de forçar os deputados a escolher entre o seu acordo fracassado e um desastroso Brexit sem acordo". E deixará claro: "Não podemos nem vamos aceitar."

O líder do Labour tem sido pressionado a defender um segundo referendo. Na semana passada, oito deputados que apoiam precisamente essa nova votação anunciaram a saída do partido, em parte devido à frustração em relação à forma como Corbyn tem lidado com o Brexit.

Hywel Williams, porta-voz do Plaid Cymru, partido do País de Gales, acusou Corbyn de "ter sido arrastado aos gritos" na direção de um segundo referendo que tenha o Remain como opção.

Brandon Lewis, o presidente dos Conservadores, partido de Theresa May, declarou que o líder do Labour tenciona "trair a vontade do povo britânico e ignorar o voto mais democrático da história do país".

Ian Blackford, líder parlamentar do Partido Nacionalista Escocês (SNP), exigiu que Corbyn esclareça se o segundo referendo que apoia vai ou não conter a opção do Remain. "A Escócia não votou pelo Brexit e não devemos ser arrastados para fora da UE contra a nossa vontade. Permanecer [na UE] é de longe o melhor acordo de todos - e a única maneira de proteger empregos e os níveis de vida".

Em declarações à ITVNews, Emily Thornberry, deputada do Labour e próxima de Corbyn, declarou que deve haver um segundo referendo e que esse deve pôr frente-a-frente a opção de permanecer na UE e o acordo conseguido por May nas negociações com a UE27. Thornberry disse que faria campanha pelo Remain e que Corbyn também. Algo que ainda estaria para se ver.

O facto é que se, durante os inúmeros debates e votações dedicados ao Brexit, os Conservadores de May acusaram grandes divisões, o Labour de Corbyn não está muito melhor. Na semana passada, nove deputados trabalhistas e três conservadores saíram dos respetivos partidos e formaram O Grupo Independente no Parlamento britânico. O peso que isso teve começa a ver-se agora. O impacto final ainda está, também ele, para se ver.

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