Congresso espanhol aprovou exumação de restos mortais de Franco

Decreto-lei do Governo, que pretende retirar retirar restos do ditador do Vale dos Caídos, aprovado com a abstenção do PP e do Ciudadanos

Com 164 votos a favor e 164 abstenções - que, de acordo com o El País , terão partido da bancada do PP e do Ciudadanos -, o pleno do Congresso espanhol aprovou hoje a exumação dos restos mortais de Francisco Franco, que liderou o país entre 1936 e a sua morte, em 1975. Ficam assim ultrapassados os obstáculos formais ao decreto-lei aprovado pelo governo liderado por Pedro Sánchez, em agosto.

O ditador está sepultados no Vale dos Caídos - abreviação pela qual é conhecida a Abadia da Santa Cruz do Vale dos Caídos - , um memorial a cerca de 40 quilómetros de Madrid, mandado erguer pelo próprio Franco, que serviu para homenagear as vítimas do lado nacionalista na Guerra Civil de 1936-39, e onde estão sepultados 33 872 soldados que perderam a vida no conflito.

Há muitos anos que gerava polémica o facto de Franco ter sido ali sepultado. Desde logo, porque não foi vítima da Guerra Civil. Mas também porque a presença dos seus restos mortais fazia do Vale dos Caídos um local de romaria para saudosistas da ditadura que governou o país durante quatro décadas.

Agora, está previsto que seja definido, até final do ano, para onde serão transferidos os restos mortais de Franco. A família terá prioridade na escolha mas, caso não se pronuncie, caberá ao governo a decisão.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ferreira Fernandes

Conhecem a última anedota do Brexit?

Quando uma anedota é uma anedota merece ser tratada como piada. E se a tal anedota ocupa um importante cargo histórico não pode ser levada a sério lá porque anda com sapatos de tigresa. Então, se a sua morada oficial é em Downing Street, o nome da rua - "Downing", que traduzido diz "cai, desaba, vai para o galheiro..." - vale como atual e certeira análise política. Tal endereço, tal país. Também o número da porta de Downing Street, o "10", serve hoje para fazer interpretações políticas. Se o algarismo 1 é pela função, mora lá a primeira-ministra, o algarismo 0 qualifica a atual inquilina. Para ser mais exato: apesar de ela ser conservadora, trata-se de um zero à esquerda. Resumindo, o que dizer de uma poderosa governante que se expõe ao desprezo quotidiano do carteiro?

Premium

Adolfo Mesquita Nunes

A escolha de uma liberdade

A projeção pública da nossa atividade, sobretudo quando, como é o caso da política profissional, essa atividade é, ela própria, pública e publicamente financiada, envolve uma certa perda de liberdade com que nunca me senti confortável. Não se trata apenas da exposição, que o tempo mediático, por ser mais veloz do que o tempo real das horas e dos dias, alargou para além da justíssima sindicância. E a velocidade desse tempo, que chega a substituir o tempo real porque respondemos e reagimos ao que se diz que é, e não ao que é, não vai abrandar, como também se não vai atenuar a inversão do ónus da prova em que a política vive.

Premium

Marisa Matias

Penalizações antecipadas

Um estudo da OCDE publicado nesta semana mostra que Portugal é dos países que mais penalizam quem se reforma antecipadamente e menos beneficia quem trabalha mais anos do que deve. A atual idade de reforma é de 66 anos e cinco meses. Se se sair do mercado de trabalho antes do previsto, o corte é de 36% se for um ano e de 45%, se forem três anos. Ou seja, em três anos é possível perder quase metade do rendimento para o qual se trabalhou uma vida. As penalizações são injustas para quem passou, literalmente, a vida toda a trabalhar e não tem como vislumbrar a possibilidade de deixar de fazê-lo.

Premium

Maria Antónia de Almeida Santos

O planeta dos sustentáveis 

Ao ambiente e ao planeta já não basta a simples manifestação da amizade e da esperança. Devemos-lhes a prática do respeito. Esta é, basicamente, a mensagem da jovem e global ativista Greta Thunberg. É uma mensagem positiva e inesperada. Positiva, porque em matéria de respeito pelo ambiente, demonstra que já chegámos à consciencialização urgente de que a ação já está atrasada em relação à emergência de catástrofes como a de Moçambique. Inesperada (ao ponto do embaraço para todos), pela constatação de que foi a nossa juventude, de facto e pela onda da sua ação, a globalizar a oportunidade para operacionalizar a esperança.