Como a América reagiu à destituição de Dilma Rousseff

Vários países americanos comentaram, o até condenaram, o julgamento que levou Dilma a perder a presidência do Brasil

A comunidade internacional não ficou indiferente à destituição de Dilma Rousseff no Brasil, principalmente os países vizinhos do continente americano. Nos últimos dias foram várias as opiniões de dirigentes e representantes de estado sobre o processo que levou Dilma Rousseff a perder a presidência do Brasil.

Os Estados Unidos afirmaram esta quinta-feira que a destituição de Dilma Rousseff ocorreu dentro do "quadro constitucional" do país e que respeitam a decisão do Senado, prometendo trabalhar com o novo chefe de Estado, Michel Temer. "Foi uma decisão tomada pelo povo brasileiro e respeitamo-la. Acreditamos que as instituições democráticas do Brasil atuaram dentro do seu marco constitucional", disse o porta-voz do Departamento de Estado, John Kirby.

Mais a sul, a Bolívia, a Venezuela, a Nicarágua e o Equador, todos governados pela mesma família política que o PT de Dilma, condenaram "o golpe de Estado parlamentar". Na Organização dos Estados Americanos (OEA), esta quarta-feira, os embaixadores e representantes destes países expressaram o seu descontentamento quanto à ação do Senado brasileiro. "Embora este Conselho ainda não tenha sido informado, foi dado um golpe de Estado parlamentar no maior país da América do Sul", disse o embaixador da Bolívia, Diego Pary, num Conselho semanal ordinário.

A delegação do Brasil tomou a palavra depois de ter ouvido as intervenções dos países próximos e limitou-se a dizer: "O Brasil agradece a solidariedade neste momento difícil da nossa história, sobre o qual nos pronunciaremos noutras sessões".

Mais nenhum país tomou a palavra para falar deste assunto neste encontro, e o secretário-geral da OEA, Luis Almagro, uma das vozes internacionais que mais defenderam Dilma durante este processo, também não o fez.

Entretanto, a Venezuela chamou o seu embaixador em Brasília e congelou as relações com o Brasil, após a destituição de Dilma pelo Senado brasileiro. Pelo Twitter, o presidente da Venezuela expressou o seu apoio a Dilma Rousseff.

O presidente da Bolívia, Evo Morales, afirmou esta quarta-feira que iria também retirar o seu embaixador do Brasil e revelou pelo Twitter que já o convocou. "Se o golpe parlamentar contra o governo democrático de Dilma Rousseff prosperar, a Bolívia vai convocar seu embaixador. Defendemos a democracia e a paz", escreveu Morales na sua conta na rede social Twitter, na quarta-feira.

Evo Morales deixou ainda outras mensagens de apoio à "irmã Dilma" nos últimos dias. "Irmã Dilma a sua luta é a mesma luta que liberta os nossos povos da América Latina e do mundo do poder económico de uns poucos", escreveu o presidente boliviano três dias antes da destituição.

Também o Governo de Cuba considerou esta quinta-feira que a destituição da Presidente brasileira constitui um "golpe de estado parlamentar-judicial" que ocorreu sem a apresentação de provas que sustentem a decisão tomada em Brasília.

"O Governo Revolucionário da República de Cuba rejeita veementemente o golpe de estado parlamentar-judicial que foi realizado contra a Presidenta Dilma Rousseff", lê-se numa "declaração do Governo Revolucionário da República de Cuba" enviada hoje pela embaixada cubana em Portugal à Lusa.

"O afastamento da Presidente do governo sem apresentar-se nenhuma evidência de delitos de corrupção nem de crimes de responsabilidade, e com ela do Partido dos Trabalhadores (PT) assim como outras forças políticas de esquerda aliadas, constitui um ato de desacato à vontade soberana do povo que a elegeu", acrescenta ainda o texto.

"O que aconteceu no Brasil é mais outra expressão da ofensiva do imperialismo e da oligarquia contra os governos revolucionários e progressistas de América Latina e as Caraíbas, que ameaça a paz e a estabilidade das nações, infringindo o espírito e a letra da Proclama de América Latina e as Caraíbas como Zona de Paz, a qual foi assinada pelos chefes de Estado e de Governo da região na II Cúpula da CELAC, em janeiro de 2014, em Havana", conclui o documento, que "manifesta a sua confiança em que o povo brasileiro defenderá as conquistas sociais atingidas, opor-se-á terminantemente às politicas neoliberais que lhes tentem impor e ao desapossamento dos seus recursos naturais".

José Eduardo Cardozo, advogado da agora ex-Presidente Dilma Rousseff afirmou quarta-feira no Senado que vai recorrer da decisão e falou num "dia de luto para a democracia brasileira".

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