Apelos à cooperação (e um sismo) no pontapé de saída da cimeira do G20

Presidente argentino reconheceu existência de divisões, mas considerou que "o consenso não é algo que se construa da noite para o dia, mas um processo com avanços e recuos".

O presidente da Argentina, Maurício Macri, deu início à cimeira do G20 com um apelo aos líderes dos países presentes para apoiarem a cooperação internacional e o multilateralismo.

Macri disse que a cimeira, que reúne as maiores potências económicas, vai centrar-se em questões como o trabalho, infraestruturas, desenvolvimento, estabilidade financeira, sustentabilidade climática e comércio internacional e, acrescentou, será uma agenda "concentrada nas pessoas".

Macri reconheceu a existência de divisões no G20, mas considerou que "o consenso não é algo que se construa da noite para o dia, mas um processo com avanços e recuos".

O dia ficou ainda marcado por um pequeno sismo de magnitude 3.8 na escala de Richter a sul da capital argentina, que terá sido sentido em algumas zonas de Buenos Aires. Ocorreu às 10.27, hora local, a minutos da chegada dos líderes para o encontro.

O presidente argentino pediu aos líderes munidas que demonstrem "o mesmo sentido de urgência que em 2008", quando o início destas cimeiras coincidiu com uma grave crise financeira global, ao considerar que nos anos recentes "emergiram tensões" e existe necessidade de "promover o diálogo".

"Promover o diálogo que respeite as diferenças e impulsione ações baseadas em interesses partilhados", assinalou Macri perante os líderes do G20, onde se incluem Donald Trump (EUA), Vladimir Putin (Rússia) e Xi Jinping (China).

"Nestes anos, as alterações e as circunstâncias sociais, políticas e económicas a nível global e nos nossos países levaram a questionar sobre as funções dos mecanismos multilaterais contemporâneos, incluindo o G20, e emergiram tensões entre os nossos países sobre a visão de como encarar individualmente as oportunidades e desafios globais", assinalou.

Durante dois dias, os líderes das 20 principais economias do mundo e dos países emergentes vão debater em Buenos Aires os temas mais relevantes da agenda global, num momento de fortes tensões comerciais entre os Estados Unidos e potências como a China e União Europeia, e por conflitos político-diplomáticos cruciais, em particular o que opõe a Rússia à Ucrânia.

Na sua intervenção, Macri, que se confronta com uma grave crise económica e crescentes protestos sociais na Argentina, evocou Nelson Mandela e pediu para que seja seguida a sua proposta de acabar com a pobreza no mundo "até 2030".

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