PSOE defende que solução é política e não penal

"Não há soluções penais para problemas políticos", afirma Pedro Sánchez

O secretário-geral do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), Pedro Sánchez, defendeu hoje a atuação da justiça num Estado democrático, mas considerou que "a única solução" para o "problema" da Catalunha é política e não penal.

"Não há soluções penais para problemas políticos", sublinhou Sánchez, intervindo no encerramento do congresso dos socialistas de Aragão, num discurso dominado pela crise na Catalunha, marcada pela permanência em Bruxelas do presidente do governo catalão destituído, Carles Puigdemont, e a prisão preventiva decretada a oito ex-conselheiros regionais.

O secretário-geral do principal partido da oposição em Espanha afirmou que quem "fez mais contra o autogoverno da Catalunha foi o secessionismo", que "atraiçoou o verdadeiro catalanismo" e, além disso, não defende nenhuma bandeira de esquerda porque prejudicou a igualdade dos cidadãos e a estabilidade dos trabalhadores-.

"A única esquerda que percebeu onde deveria estar foi o PSOE", disse, sem se referir diretamente ao Podemos.

Os socialistas, sublinhou, são "a esquerda de governo", que "entende Espanha de modo plural e diverso", ao contrário da "outra esquerda, que não identifica o independentismo com aquilo que é, uma volta ao passado no relógio da história".

Sánchez assegurou que a única declaração de que a Catalunha necessita nestes momentos é "a da concórdia e a convivência", aos quais não se chega por vias "unilaterais", mas através do diálogo, a tolerância e o respeito.

A Catalunha não merece mais anos de um governo secessionista que despreze a legalidade e a democracia, e que tenha colocado a Catalunha contra a Catalunha, a Catalunha contra Espanha e a Catalunha com a Europa

O líder socialista também sustentou que a tentativa dos independentistas para "internacionalizar" a crise catalã é "uma viagem a lado nenhum" que afeta sobretudo os cidadãos e trabalhadores numa conjuntura social mais vulnerável.

"Não é uma casualidade" que a comunidade onde o desemprego mais cresceu em outubro seja a Catalunha, comentou.

Os ex-membros do governo regional e seis deputados do parlamento catalão, incluindo a presidente, Carme Forcadell, são acusados dos delitos de rebelião, sedição e desvio de fundos, arriscando-se a penas que poderão ir até 30 anos de prisão.

O presidente destituído da Catalunha, Carles Puigdemont, entregou-se hoje à polícia belga numa delegação do Ministério Público de Bruxelas, estando acompanhado por quatro dos seus ex-conselheiros.

No dia 02, o Ministério Público espanhol tinha pedido à Audiência Nacional para emitir um mandado europeu de detenção contra Carles Puigdemont, que se encontrava na Bélgica desde o início da semana passada.

Oito ex-conselheiros, incluindo o antigo vice-presidente da Generalitat, Oriol Junqueras, ficaram em prisão preventiva, após terem comparecido perante a Audiência Nacional no dia 02.

O Supremo Tribunal espanhol decidiu colocar seis deputados regionais, entre eles a presidente do parlamento da Catalunha, Carme Forcadell, em vigilância policial até à próxima quinta-feira, dia 09, quando voltarem a ser ouvidos pelo tribunal.

O parlamento regional da Catalunha aprovou no dia 27 de outubro a independência da região, numa votação sem a presença da oposição, que abandonou a assembleia regional e deixou bandeiras espanholas nos lugares que ocupava.

No mesmo dia, o executivo de Mariano Rajoy, do Partido Popular (direita), apoiado pelo maior partido da oposição, os socialistas do PSOE, anunciou a dissolução do parlamento regional, a realização de eleições em 21 de dezembro próximo e a destituição de todo o governo catalão, entre outras medidas, no âmbito da aplicação do artigo 155.º da Constituição, inédita na história da democracia espanhola.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Pedro Lains

"Gilets jaunes": se querem a globalização, alguma coisa tem de ser feita

Há muito que existe um problema no mundo ocidental que precisa de uma solução. A globalização e o desenvolvimento dos mercados internacionais trazem benefícios, mas esses benefícios tendem a ser distribuídos de forma desigual. Trata-se de um problema bem identificado, com soluções conhecidas, faltando apenas a vontade política para o enfrentar. Essa vontade está em franco desenvolvimento e esperemos que os recentes acontecimentos em França sejam mais uma contribuição importante.

Premium

Opinião

Investimento estrangeiro também é dívida

Em Abril de 2015, por ocasião do 10.º aniversário da Fundação EDP, o então primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, afirmava que Portugal "precisa de investimento externo como de pão para a boca". Não foi a primeira nem a última vez que a frase seria usada, mas naquele contexto tinha uma função evidente: justificar as privatizações realizadas nos anos precedentes, que se traduziram na perda de controlo nacional sobre grandes empresas de sectores estratégicos. A EDP é o caso mais óbvio, mas não é o único. A pergunta que ainda hoje devemos fazer é: o que ganha o país com isso?