Caso Michael Flynn: Trump apanhado em falso no Twitter?

Advogado de Trump assume autoria de tweet que sugere que presidente já sabia que conselheiro mentiu ao FBI quando o demitiu
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Donald Trump é um campeão de tweets e muitos já se terão questionado se é o presidente norte-americano quem realmente escreve tudo quanto aparece publicado na sua conta oficial do Twitter. A avaliar pelas declarações de um dos seus advogados não. John Dowd responsabilizou-se ontem pela autoria de um tweet escrito no sábado na conta de Trump sobre o caso Michael Flynn: o ex-conselheiro de segurança que na semana passada admitiu ter mentido ao FBI sobre a alegada ingerência russa nas presidenciais de 2016 nos EUA.

“Não estou muito familiarizado com isto do Twitter. Não tinha intenção de ser notícia”, disse ontem John ???????Dowd à agência Axios, citada por sua vez pela Reuters. “Um erro”, lamentou o advogado. No tweet em questão Donald Trump escreveu o seguinte : “Tive que demitir o general [Michael] Flynn porque ele mentiu ao vice-presidente [dos EUA Mike Pence] e ao FBI. Ele assumiu-se culpado dessas mentiras. É uma pena porque as ações dele durante a transição foram legais. Não há nada a esconder!”. As reações não se fizeram esperar e vários especialistas falam em obstrução à justiça, uma vez que, no tweet, se admite que o presidente demitiu Flynn porque já sabia que ele tinha mentido ao FBI.

“Trump vai lamentar que o Twitter tenha aumentado [a capacidade de cada tweet de 140] para 280 carateres dando-lhe ainda mais espaço para confessar a obstrução à justiça nos seus tweets”, declarou à MSNBC Michael Waldman, advogado do instituto universitário Brennan Center for Justice. O especialista notou que o presidente “acabou de admitir que Michael Flynn mentir ao FBI foi uma das razões que o levaram a demiti-lo. Veja-se o horizonte temporal. A seguir ele pediu ao então diretor do FBI para não investigá-lo - e depois demitiu esse diretor do FBI”. Esse diretor do FBI era James Comey, que depois de deixar o cargo sugeriu que o presidente lhe pediu para não investigar Flynn (o qual esteve no cargo apenas 25 dias).

Nos tweets que apareceram ontem publicados na sua conta, Trump nega ter pedido isso. “Nunca pedi a Comey que parasse a investigação a Flynn. Apenas Fake News a dar cobertura a outra das mentiras de Comey”. Na série de tweets que ontem fez, Trump voltou a atacar a sua rival democrata nas eleições de 2016. Hillary Clinton chegou a ser investigada pelo FBI por causa do envio de emails a partir de computador pessoal, mas não foi acusada. “Notícia: ‘AGENTE DO FBI ANTI-TRUMP LIDEROU INVESTIGAÇÃO SOBRE OS EMAILS DE CLINTON’. Agora começa tudo a fazer sentido!”.

Este último post tem que ver com notícias de que Robert Mueller, conselheiro especial, que agora conduz a investigação à alegada ingerência russa no voto, dispensou um agente do FBI quando era diretor do serviço porque aquele tinha enviado SMS com declarações anti-Trump. Um porta-voz de Mueller, citado pela BBC, esclareceu que o agente foi dispensado assim que as mensagens e seu conteúdo foram descobertos. “Após anos de Comey e da sua investigação desonesta sobre Clinton, a reputação do FBI está de rastos - a pior em toda a história”, tweetou também ontem Trump.

Mesmo após estas tentativas de esclarecimentos (e de o advogado ter assumido a responsabilidade por aquele tweet em particular ), a senadora Dianne Feinstein, do comité que investiga a eventual ingerência russa nas eleições, anunciou no Meet the Press da NBC: “Estamos a preparar uma acusação por obstrução à justiça”.

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