Bolsonaro escolhe "esquerdista" para procurador-geral da república

O professor de direito Augusto Aras desagrada à ala bolsonarista mais radical por Dilma Rousseff ter cogitado nomeá-lo para o Supremo. Por isso, o presidente chegou a pensar em deixar o luso-brasileiro Alcides Martins, atual número dois da PGR, como interino no cargo.

Jair Bolsonaro tomou finalmente a decisão já esperada há cerca de um mês: escolheu o sub-procurador e professor de direito Augusto Aras, de 61 anos, para procurador-geral da república no lugar de Raquel Dodge, cujo mandato de dois anos termina dia 18 de setembro. A decisão não é bem aceite pelo núcleo mais à direita do bolsonarismo.

Com esta resolução, entretanto, o atual número dois do organismo, o luso-brasileiro Alcides Martins, cujo perfil também agradava ao presidente da República, mantém-se no posto.

Bolsonaro também preteriu Antônio Soares, um nome que causou muito ruído ao vir a público por ter relação com o senador Flávio Bolsonaro, o filho do presidente investigado em caso de corrupção. E não levou em consideração, ao contrário da maioria dos seus antecessores, a lista tríplice de nomes sugeridos em votação interna pela Procuradoria-Geral da República.

Aras, segundo a maioria dos observadores, sempre foi o preferido do Palácio do Planalto mas sofreu rejeição ao longo do mês de agosto nas redes sociais da ala mais radical do bolsonarismo.

Movimentos online pretenderam levar o presidente a vetar o nome do mestre em direito económico e doutor em direito constitucional pela Pontifícia Católica de São Paulo (PUC-SP) nascido em Salvador, por ter sido cogitado por Dilma Rousseff para ocupar vaga no Supremo Tribunal de Federal durante o seu consulado.

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