Bolsonaro quer travar socialistas com moeda única com a Argentina

O Banco Central do Brasil divulgou uma nota afirmando que "não tem projetos ou estudos em andamento para uma união monetária com a Argentina"

O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, afirmou esta sexta-feira que a ideia de criar uma moeda unificada com a Argentina poderia bloquear "aventuras socialistas" que acontecem em alguns países da América do Sul.

"Uma nova moeda [com a Argentina] é como um casamento (...) Em um casamento, a gente mais ganha do que perde. Temos mais a ganhar do que a perder. Com uma moeda única damos uma trava às aventuras socialistas que acontecem em alguns países da América do Sul", declarou o chefe de Estado brasileiro, durante um evento oficial no Rio de Janeiro.

Bolsonaro também afirmou que a moeda única poderia começar no Brasil e na Argentina, para depois se expandir para outros países da região.

"Uma família começa com duas pessoas. A ideia foi lançada na Argentina. O que ouvi o Paulo Guedes [ministro da Economia do Brasil] dizer é que ele gostaria que outros países se preocupassem com isso e quem sabe fazer uma moeda única aqui na América do Sul", declarou.

Embora a ideia tenha a simpatia do presidente brasileiro, o Banco Central do país divulgou uma nota hoje afirmando que "não tem projetos ou estudos em andamento para uma união monetária com a Argentina".

"Há tão somente, como é natural na relação entre parceiros, diálogos sobre estabilidade macroeconómica, bem como debates acerca de redução de riscos e vulnerabilidades e fortalecimento institucional", acrescentou a autoridade monetária brasileira.

O anúncio de que os dois maiores países da América do Sul estariam negociando a criação de uma moeda única foi feito na quinta-feira, durante a primeira visita oficial de Bolsonaro a Argentina.

Poucos detalhes sobre a ideia foram revelados e o projeto é apresentada como algo de longo prazo, porque tanto o peso argentino - que perdeu mais de 50% do valor no ano passado - como o real brasileiro - que também sofre com a desvalorização face ao dólar norte-americano -, são moedas de mercados emergentes que habitualmente sofrem impactos causados por choques da economia internacional.

Além disso, a economia brasileira ainda luta para acelerar crescimento, enquanto a Argentina sofre com problemas monetário graves e com a da alta inflação.

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